Helder Barbalho defende exploração na Foz do Amazonas e diz que decisão do Ibama é “tecnicamente robusta”
Governador do Pará afirma que o país precisa aproveitar suas riquezas para financiar a transição energética e evitar depender da importação de petróleo nos próximos anos
Em entrevista à Globonews na noite deste domingo (26), o governador do Pará, Helder Barbalho, defendeu a liberação do Ibama que autoriza a Petrobras a realizar pesquisas exploratórias na chamada Margem Equatorial, região próxima à Foz do Rio Amazonas.
O governador destacou que a decisão foi resultado de cinco anos de análises técnicas, o que, segundo ele, demonstra a “robustez” do parecer do Ibama.
“Foram cinco anos de análise, discussões e debates que permitiram ao Ibama compreender que a Petrobras havia respondido tecnicamente a todos os quesitos necessários para este momento da pesquisa”, afirmou Helder.
“Não estamos falando da Foz do Amazonas, mas de mar profundo”, diz governador
Durante a entrevista, Helder também esclareceu um ponto frequentemente mal interpretado no debate público: a localização exata da área de exploração.
“Apesar do nome ‘Margem da Foz do Rio Amazonas’, nós estamos falando de uma área a 540 quilômetros de distância da foz, em mar profundo, onde a Petrobras é uma das empresas com maior qualidade exploratória do mundo nesse tipo de atividade”, explicou.
O governador lembrou ainda que países vizinhos, como Suriname e Guiana Francesa, já estão realizando atividades exploratórias na mesma região, o que reforça — em sua visão — a necessidade de o Brasil também avançar.
Helder defende uso do petróleo para financiar a transição energética
Um dos principais argumentos de Helder Barbalho é que o Brasil não pode abrir mão de explorar suas reservas enquanto ainda depende do petróleo. Segundo ele, sem expansão da oferta nacional, o país pode ter que importar petróleo em até 15 anos para manter a segurança energética.
“Seria um contrassenso abrir mão desse ativo nacional quando outros países já estão se valendo dele. O que defendo é que possamos fazer das riquezas da Petrobras a principal fonte de financiamento para a transição energética”, afirmou.
Helder também destacou que o Brasil já possui 82% de sua matriz energética renovável, mas que é necessário continuar investindo em energia eólica, solar e outras fontes limpas, financiadas justamente pelos recursos obtidos com o petróleo.
Contexto e críticas
A autorização para pesquisa na Margem Equatorial ocorre às vésperas da COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém, em 2025 — o que gerou críticas de ambientalistas e especialistas em energia.
Para eles, o início de novas frentes exploratórias de petróleo enfraquece o discurso de proteção ambiental e transição para energias renováveis.
Helder, no entanto, afirmou que a decisão é técnica, segura e compatível com os objetivos climáticos do país.
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