EXCLUSIVO: Documentos inéditos põem em xeque versão da Hydro sobre morte em Barcarena
A morte do engenheiro elétrico e eletrotécnico Romário Moia, de 33 anos, ocorrida nas dependências da mineradora Hydro Alunorte, em Barcarena, ganha novos desdobramentos jurídicos. Enquanto as empresas envolvidas aguardam laudos técnicos, a família da vítima já constituiu defesa e aponta para uma causa específica: eletroplessão (choque elétrico) durante a manutenção de geradores. O caso […]
A morte do engenheiro elétrico e eletrotécnico Romário Moia, de 33 anos, ocorrida nas dependências da mineradora Hydro Alunorte, em Barcarena, ganha novos desdobramentos jurídicos. Enquanto as empresas envolvidas aguardam laudos técnicos, a família da vítima já constituiu defesa e aponta para uma causa específica: eletroplessão (choque elétrico) durante a manutenção de geradores.
O caso ocorreu na tarde da última segunda-feira (30/03). Romário era vinculado à DTA Engenharia, empresa terceirizada que presta serviços no complexo industrial. Embora relatos de colegas que presenciaram a cena apontem que o engenheiro sofreu uma descarga elétrica fatal, a família denuncia que informações preliminares tentaram associar o óbito a um “mal súbito”, versão contestada pela defesa.
Batalha por documentos e espera pelo IML
O advogado da família, Herley Buchinger, confirmou ao Amazônia no Ar que a estratégia jurídica está centrada na conclusão do inquérito conduzido pela Delegacia de Vila dos Cabanos. Segundo o advogado, documentos fundamentais, como a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), foram solicitados à Hydro e à DTA Engenharia, mas ainda não teriam sido fornecidos.
“Estamos esperando a conclusão do inquérito policial para saber se a polícia vai investigar a causa da morte por negligência ou imperícia, para que possamos ingressar com a ação. A família espera a elucidação dos fatos. O que se sabe é que o Romarinho morreu de choque quando fazia manutenção em um dos geradores“, afirmou o advogado.
Até o momento, a Polícia Civil registrou o caso como “morte acidental”, termo padrão utilizado até que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirme a causa biológica do óbito.
O Amazonia no Ar teve acesso exclusivo a documentos oficiais que corroboram a versão de acidente de trabalho. De acordo com a certidão de óbito de Romário Moia, a causa da morte foi atestada como parada cardiorrespiratória decorrente de eletropressão, termo médico-legal que confirma a ocorrência de uma descarga elétrica fatal. O documento contradiz as suposições iniciais de mal súbito e deve servir como peça fundamental na ação que a família move contra a mineradora e a empresa terceirizada.

No formulário do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), a categoria foi marcada como “Acidente de trabalho grave”. No documento é descrito que Romário chegou a UPA de Barcarena e passou direto para sala vermelha, onde foi realizado a reanimação e entubação, mas que não respondeu aos estímulos vindo a óbito em seguida.

Notas na íntegra
NOTA DA DTA ENGENHARIA E HYDRO ALUNORTE NO DIA 31/03:
“Na tarde de 30/03/2026, a equipe de emergência da Alunorte foi acionada para atendimento de colaborador da DTA Engenharia, nas dependências da unidade. Após os primeiros atendimentos no local, o colaborador foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde houve continuidade da assistência médica. Apesar dos esforços das equipes envolvidas, o colaborador evoluiu a óbito na unidade de saúde. A DTA Engenharia está prestando suporte integral aos familiares, oferecendo toda a assistência necessária neste momento. Esclarecemos que ainda não há conclusão técnica oficial acerca da causa do óbito. A mesma será definida após a conclusão da perícia e a emissão do laudo pelo Instituto Médico Legal (IML). A apuração está sendo conduzida pelas autoridades competentes, com o devido acompanhamento das empresas envolvidas. A DTA e a Alunorte lamentam profundamente o falecimento do prestador de serviço.”
POSICIONAMENTO DA DTA SOBRE A CAUSA DA MORTE: Questionada pelo jornal se confirmava a descarga elétrica, a DTA respondeu: “A DTA, neste momento, não se pronunciará sobre as possíveis causas do acidente. A empresa acompanha atentamente o caso e aguarda a conclusão das investigações conduzidas pelas autoridades públicas competentes.”
NOTA DA POLÍCIA CIVIL NO DIA 06/04: “A Polícia Civil informa que o caso foi registrado como morte acidental. Perícias foram solicitadas para auxiliar nas investigações, conduzidas pela Delegacia de Vila dos Cabanos.”
Segurança e direitos
O episódio reacende o debate sobre a segurança de profissionais em grandes complexos industriais. Por se tratar de um engenheiro qualificado, a investigação sobre o estado dos equipamentos e o cumprimento das normas de segurança (como a NR-10) será rigorosa. A ausência da CAT, mencionada pela defesa, é um ponto crítico, já que o documento é obrigatório para registrar acidentes de trabalho perante a Previdência Social.
O Amazônia no Ar segue acompanhando o caso e aguarda a liberação do laudo pericial, que será o divisor de águas para as medidas judiciais da família.