Estudo da Ufopa alerta para metais tóxicos em peixes do Baixo Amazonas e Sudoeste do Pará
Pesquisa revela que o alto consumo de pescado na região amazônica eleva o risco de danos neurológicos e câncer; garimpo e expansão agrícola são apontados como agravantes. Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) acendeu um alerta sobre a segurança alimentar nas regiões do Baixo Amazonas e Sudoeste paraense. A pesquisa, […]
Pesquisa revela que o alto consumo de pescado na região amazônica eleva o risco de danos neurológicos e câncer; garimpo e expansão agrícola são apontados como agravantes.
Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) acendeu um alerta sobre a segurança alimentar nas regiões do Baixo Amazonas e Sudoeste paraense. A pesquisa, desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND), detectou a presença de metais tóxicos como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo em espécies de peixes amplamente consumidas em Faro, Juruti, Santarém, Oriximiná e Itaituba.
O levantamento analisou seis espécies populares: tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha (predadores), além de aracu e acari (não predadores). O diferencial da pesquisa foi comparar o “cenário brasileiro” de consumo (24g diárias) com o “cenário amazônico”, onde comunidades ribeirinhas chegam a consumir 462g de peixe por dia. Neste segundo contexto, os pesquisadores Fábio Albuquerque e Antonio Minervino identificaram riscos reais à saúde ao longo da vida, especialmente efeitos neurológicos ligados ao mercúrio e o risco potencial de câncer associado ao arsênio.
Impacto da mineração e do agronegócio
A degradação ambiental é o motor por trás da contaminação. Em Itaituba, a industrialização do garimpo de ouro aumentou a liberação de mercúrio nos rios. Já em Oriximiná e Juruti, grandes projetos de bauxita geram resíduos que podem mobilizar metais pesados no solo e na água. Santarém e Faro, embora sem mineração direta, sofrem com a carga de sedimentos trazida pelos rios Tapajós e Amazonas, além da pressão do desmatamento e do avanço da soja.
“O mercúrio está presente naturalmente nos solos da região, mas o desmatamento, as queimadas e a mineração aceleram a erosão, tornando esse metal mais disponível nos ecossistemas aquáticos”, explica o pesquisador Fábio Albuquerque. Segundo ele, as espécies carnívoras (predadoras) concentram mais mercúrio, enquanto espécies que vivem próximas ao sedimento, como o acari, apresentam maiores níveis de arsênio.
Monitoramento urgente
Os resultados apontam que as diretrizes nacionais de saúde não refletem a realidade da Amazônia. Para o consumo local, espécies como acari e pirarucu em certas localidades apresentaram riscos considerados “inaceitáveis” para populações ribeirinhas devido ao arsênio.
Apesar dos dados preocupantes, os especialistas esclarecem que o peixe não está impróprio para o consumo imediato, mas que o estudo serve como um aviso urgente para as autoridades. É necessário um monitoramento ambiental contínuo e políticas de saúde específicas para os povos da floresta, que dependem do pescado como principal fonte de proteína.
O estudo contou com a parceria da Universidade de Santiago de Compostela e foi realizado no Laboratório de Sanidade Animal (Larsana) da Ufopa.
*Matéria realizada com informações do portal Ufopa.edu.br.