Estudo da revista Nature aponta Brasil como líder mundial em desmatamento impulsionado pela agropecuária
Um estudo internacional publicado na última terça-feira (24) pela prestigiada revista Nature revela que o Brasil é o país que mais desmata no mundo para dar lugar à agropecuária. De acordo com a pesquisa, o país foi responsável por 32% de todo o desmatamento global associado ao setor entre 2001 e 2022. O índice coloca […]
Um estudo internacional publicado na última terça-feira (24) pela prestigiada revista Nature revela que o Brasil é o país que mais desmata no mundo para dar lugar à agropecuária. De acordo com a pesquisa, o país foi responsável por 32% de todo o desmatamento global associado ao setor entre 2001 e 2022. O índice coloca o Brasil isolado na liderança, seguido por Indonésia (9%), China (6%) e República Democrática do Congo (6%).
O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, analisou o impacto de 184 commodities agrícolas em 179 países. O estudo utilizou um modelo que cruza dados de satélite com estatísticas de produção para mapear a perda de 122 milhões de hectares de florestas em duas décadas. Esse processo resultou na emissão de 41,2 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), com mais de 80% das perdas concentradas em regiões tropicais, como a Amazônia e o Cerrado.
O peso da carne bovina e da soja
A produção de carne bovina aparece como o principal motor da devastação, sendo responsável por 40% do desmatamento ligado à abertura de novas áreas para alimentos no mundo. Em seguida, figuram o óleo de palma (9%) e a soja (5%). No cenário brasileiro, a pressão dessas duas commodities (carne e soja) é o que sustenta o país no topo do ranking, evidenciando o desafio de manter a liderança nas exportações globais sem comprometer a preservação ambiental.
Culturas básicas e impacto global
Um dado que surpreendeu os pesquisadores foi o impacto de culturas básicas, como milho, arroz e mandioca. Juntas, elas representam 11% do desmatamento agrícola global — um valor superior à soma de commodities tradicionais como cacau, café e borracha, que somam menos de 5%. Diferente da soja e do óleo de palma, que têm áreas de produção bem localizadas na América do Sul e no Sudeste Asiático, a pressão do milho e da mandioca está espalhada por diversas regiões do globo, o que dificulta o controle e a fiscalização internacional.
*Matéria realizada com informações do portal Climainfo