O que está acontecendo na Amazônia? 4 de maio de 2026

Estudo alerta que clima extremo ameaçará 36% das espécies de animais terrestres até 2085

Um novo estudo científico publicado na revista Nature Ecology & Evolution traz um alerta sem precedentes sobre o futuro da vida selvagem no planeta. Intitulado “Land vertebrates increasingly exposed to multiple extreme events by 2085“, o artigo demonstra que o aquecimento global não deve ser medido apenas pelo aumento das temperaturas, mas pela frequência com […]

Um novo estudo científico publicado na revista Nature Ecology & Evolution traz um alerta sem precedentes sobre o futuro da vida selvagem no planeta. Intitulado “Land vertebrates increasingly exposed to multiple extreme events by 2085, o artigo demonstra que o aquecimento global não deve ser medido apenas pelo aumento das temperaturas, mas pela frequência com que diferentes desastres ambientais atingem o mesmo local em curtos intervalos de tempo.

A pesquisa é assinada por um grupo internacional de especialistas, liderado pelos pesquisadores Gopika Tyagi, Christian P. Otto, Boris Sakschewski e Christopher P. O. Reyer, do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático (PIK), na Alemanha. O grupo analisou mais de 33 mil espécies de animais terrestres, incluindo mamíferos, aves, répteis e anfíbios, cruzando dados de quatro tipos de crises: ondas de calor, secas, inundações e incêndios florestais.

O “efeito cascata” e o exemplo do Pantanal

O ponto central do estudo é a análise dos chamados “eventos compostos”. Segundo os autores, a capacidade de sobrevivência dos animais é severamente testada quando uma espécie resiste a uma seca, mas é atingida logo em seguida por um incêndio, não tendo tempo para se recuperar. O artigo cita o Pantanal brasileiro como um exemplo real desta dinâmica: em 2020, a combinação de seca severa e fogo descontrolado resultou na morte direta de cerca de 17 milhões de animais, ilustrando como a sobreposição de eventos pode ser letal.

As projeções indicam que, se as emissões de gases de efeito estufa seguirem no ritmo atual, aproximadamente 36% das áreas habitadas por esses animais no mundo sofrerão com dois ou mais eventos extremos ao mesmo tempo ou em sequência até o final do século. Regiões tropicais, como a Amazônia, estão entre as zonas de maior risco.

Cenários e soluções

O estudo também apresenta um cenário de esperança. Se o mundo conseguir realizar cortes drásticos nas emissões para atingir as metas climáticas, a exposição das espécies a esses múltiplos desastres cairia de 36% para apenas 9%.

As conclusões reforçam que a preservação da fauna depende menos da capacidade de adaptação dos animais e mais de ações políticas e econômicas imediatas para frear a intensidade desses choques climáticos.

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