Descubra todos os custos necessários para vender nos quiosques da COP30
Aluguel em dólar, exigências ambientais, taxas sociais e logística restrita compõem o complexo sistema que desafia empreendedores na Blue Zone e na Green Zone.
Nos dias 6 e 7 de novembro, com o início da Cúpula de Líderes da COP30, as atenções do mundo se voltaram para Belém. Além das discussões sobre clima e transição energética, outro assunto chamou a atenção de quem circula pela conferência: o preço da comida na Blue zone. Jornalistas e participantes compartilharam nas redes sociais valores considerados altos para refeições e lanches, gerando surpresa e questionamentos — afinal, por que tudo é tão caro?
A resposta está nos bastidores da operação desses espaços. Por trás dos pratos e sanduíches vendidos aos participantes, há uma estrutura complexa e cara, marcada por exigências ambientais, custos dolarizados e uma logística rígida.
Em grandes eventos internacionais como a COP, o sistema de pagamento é cashless — ou seja, o público adquire um cartão, faz recargas e utiliza esse crédito nas lojas e quiosques credenciados. O formato agiliza o atendimento, mas toda a operação depende de um contrato detalhado e de alto custo para quem vende.
Os empreendedores que atuam nas áreas Blue e Green Zone relatam que o aluguel do espaço é cobrado em dólar: US$ 280 por metro quadrado. Um quiosque de 15 m², com o dólar a R$ 5,40, já representa R$ 22.680 apenas o aluguel.
A isso se somam custos de mão de obra, que giram em torno de R$ 250 a R$ 300 por dia para cada atendente. Com quatro pessoas por quiosque, a despesa com equipe pode ultrapassar R$ 15 mil durante o evento. E há ainda a retaguarda de abastecimento, já que não é permitido produzir alimentos no local — tudo precisa chegar pronto, o que exige estrutura extra e eleva o risco de perdas.
Outro fator que pesa é o conjunto de exigências ambientais. Todos os descartáveis devem ser biodegradáveis e compostáveis, o que multiplica os custos de insumos. Um simples copo pode custar R$ 0,60.
Há também restrições contratuais: o cardápio precisa ser previamente aprovado, e mudanças podem gerar multa de 2% sobre o faturamento. O abastecimento só pode ocorrer entre 22h e 5h da manhã, o que exige planejamento logístico e mão de obra em horário noturno.
Quem opta por terceirizar produtos com fornecedores credenciados também enfrenta custos maiores. Um sanduíche natural pode sair por R$ 9,90, com pagamento antecipado de 50% e quantitativo mínimo de compra, o que força o expositor a assumir possíveis perdas.
Além de tudo isso, o contrato prevê repasses de até 10% do faturamento para projetos sociais da Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e o pagamento de 19% em impostos, além da compra de utensílios e equipamentos. No fim, o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) precisa ficar abaixo de 18% para que a operação seja viável — uma meta difícil diante do cenário.
Com tantos custos somados, operar um quiosque nas áreas oficiais da COP30 pode ultrapassar facilmente os R$ 40 mil, mesmo em estruturas pequenas. O resultado é repassado ao consumidor final e explica por que um simples lanche pode custar o equivalente a uma refeição completa fora do evento.
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