Brasil abre Pré-COP em Brasília e define prioridades para a COP30 em Belém: “trazer o regime climático para a vida real das pessoas”
Com representantes de 67 países, reunião ministerial discute avanços rumo à conferência do clima, que acontece em novembro, e reforça a urgência de transformar compromissos ambientais em ações concretas.
A Pré-COP, evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), teve início nesta segunda-feira (13), em Brasília. O encontro reúne negociadores de 67 países com o objetivo de alinhar estratégias e definir prioridades para a conferência mundial que será realizada em novembro, em Belém.
Durante a cerimônia de abertura, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, destacou a necessidade de transformar compromissos em ações concretas. Ele convocou os países a fortalecerem o multilateralismo e a conectarem as metas climáticas à vida cotidiana das pessoas.
“Convoco a todas e a todos a compartilharmos essa preocupação ambiental e esse amor ao próximo não apenas em nossos discursos, mas em ações concretas, em benefício de toda a comunidade internacional e como legado para as gerações futuras”, afirmou.
Três prioridades para a COP30
Em seu discurso, Alckmin propôs que os países concentrem esforços em três frentes principais:
- Reforço do multilateralismo, com maior cooperação entre as nações;
- Conexão entre o regime climático e a vida real, para que as políticas públicas gerem impacto direto;
- Aceleração da implementação do Acordo de Paris, firmado em 2015 para conter o aquecimento global.
O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, reforçou a importância da cooperação internacional.
“A estrada para Belém é curta, mas com vastas possibilidades. Vamos fazer cada hora de trabalho contar”, afirmou.
Governança e inclusão nas negociações climáticas
Durante o evento, Laurent Fabius, líder do Círculo de Presidentes da COP e ex-presidente da COP21 em Paris, apresentou um balanço das ações de mobilização. Ele ressaltou que os próximos passos devem ser guiados por quatro princípios — inspiração, implementação, inclusão e inovação — com foco em fortalecer a governança climática global e garantir que o Acordo de Paris avance de forma efetiva.
Segundo Fabius, é essencial que o processo seja inclusivo, ampliando a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, afrodescendentes, líderes religiosos, setor empresarial e sociedade civil.
“É de grande importância que a ciência e a educação trabalhem a favor da justiça climática e de forma a enfrentar a desinformação”, destacou.
Povos indígenas no centro da agenda climática
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que lidera o Círculo dos Povos da COP30, ressaltou o protagonismo das comunidades tradicionais nas negociações climáticas. Segundo ela, as comissões de mobilização já alcançaram avanços significativos no processo de inclusão dos povos indígenas nas decisões que moldarão o futuro da política ambiental global.
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