O que está acontecendo na Amazônia? 20 de fevereiro de 2026

Audiência sobre aterro sanitário termina em confusão generalizada no Acará; homem é agredido covardemente

Audiência pública sobre a instalação de um aterro sanitário em Acará e Bujaru, no Pará, terminou sem acordo e em uma confusão generalizada nesta sexta-feira (20). O projeto, proposto pela Ciclus Amazônia S.A., foi alvo de protestos de moradores que questionam o processo de licenciamento e a falta de diálogo com comunidades tradicionais, indígenas, ribeirinhos […]

Audiência pública sobre a instalação de um aterro sanitário em Acará e Bujaru, no Pará, terminou sem acordo e em uma confusão generalizada nesta sexta-feira (20). O projeto, proposto pela Ciclus Amazônia S.A., foi alvo de protestos de moradores que questionam o processo de licenciamento e a falta de diálogo com comunidades tradicionais, indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

Manifestantes saíram da Câmara Municipal de Acará até o ginásio onde ocorria a reunião, mas foram impedidos de entrar por seguranças privados, o que aumentou a tensão no local. O prefeito do Acará, Pedrinho da Balsa, foi vaiado pelo manifestantes, no ginásio.

O aterro deve receber resíduos de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Barcarena, além de Acará e Bujaru, com previsão de início das operações em 2027, substituindo o atual aterro de Marituba, que funciona saturado.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pessoas correndo, muito empurra-empurra, a Polícia Militar utilizando bombas de efeito moral para dispersar as pessoas e seguranças de uma empresa privada agredindo covardemente um homem dentro do ginásio.

Relatos apontam que a audiência teria sido iniciada pelas autoridades (prefeitura municipal, secretaria de meio ambiente e sustentabilidade do Pará e o Ministério Público) sem a presença das comunidades que serão diretamente impactadas, o que fez os manifestantes forçarem a entrada no ginásio.

A Ciclus Amazônia e a Semas se pronunciaram:

“A Ciclus Amazônia esclarece que o processo de licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Metropolitana segue em análise pelos órgãos competentes, com acompanhamento do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e do Ministério Público do Estado do Pará, que se manifestaram através de suas respectivas equipes técnicas, ressaltando que os estudos técnicos apresentados demonstram que o empreendimento é viável tecnicamente e cumpre com todas as exigências ambientais. Atualmente, o projeto está tramitando para um passo importante, qual seja a designação de Audiência Pública, momento que a Concessionária apresentará o projeto à população, proporcionando a ampla e efetiva participação dos munícipes, fortalecendo a transparência e o controle social, através da promoção de um momento qualificado de diálogo com a população local, voltado a esclarecer dúvidas e colher, com escuta ativa, sugestões e percepções da comunidade. A Ciclus Amazônia reforça seu compromisso com o diálogo, a legalidade e a transparência, ressaltando que o projeto foi concebido para oferecer uma solução regulada, pública e reversível para o manejo de resíduos da região, com segurança ambiental e sanitária”, disse a Ciclus Amazônia, empresa que cuida da coleta e destinação do lixo de Belém.

“A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) informa que o processo de licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTR) da Ciclus Amazônia S.A., em Acará, foi indeferido após análise técnica. Por determinação da justiça, a análise foi retomada e está em curso. Até o momento, não há elementos que permitam a emissão da licença”, ressaltou a pasta.

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