O que está acontecendo na Amazônia? 29 de dezembro de 2025

Aquecimento global deve reduzir vazão dos rios e afetar geração de energia no país, aponta estudo

Redução das vazões dos rios pode afetar hidrelétricas, agricultura e abastecimento de água até 2040

As mudanças climáticas, intensificadas pelo aquecimento global, devem provocar impactos significativos na segurança energética do Brasil nas próximas décadas. A conclusão é de um estudo elaborado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que aponta uma redução generalizada nas vazões dos rios brasileiros até o ano de 2040.

Segundo o levantamento, a diminuição da disponibilidade hídrica afeta diretamente a geração de energia elétrica, especialmente em um país cuja matriz é fortemente dependente das hidrelétricas.

Regiões mais afetadas pela redução das vazões

O estudo revela que os impactos não serão distribuídos de forma uniforme pelo território nacional, com algumas regiões enfrentando quedas mais severas no volume de água dos rios.

Amazônia lidera perdas previstas

A região amazônica aparece como a mais impactada. De acordo com as projeções, a vazão média dos rios pode cair até 50%, principalmente em bacias estratégicas para a geração de energia, como as dos rios Xingu, Juruá, Purus e Tapajós, todos afluentes do Rio Amazonas.

O Xingu, por exemplo, abriga a usina de Belo Monte, uma das maiores hidrelétricas do mundo. O estudo destaca que a água é o principal meio pelo qual os efeitos das mudanças climáticas se manifestam de forma mais imediata.

Norte e Nordeste enfrentam cenário crítico

As regiões Norte e Nordeste devem registrar, em média, uma redução de até 40% nas vazões dos rios. No Nordeste, o estudo alerta ainda para o aumento da intermitência dos rios — quando cursos d’água secam completamente em determinados períodos do ano — e para a ampliação do tempo de escassez hídrica, que pode se estender por até dois meses além do que é atualmente considerado no planejamento.

Sul, Sudeste e Centro-Oeste terão impactos menores, mas relevantes

Já as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste devem apresentar reduções mais moderadas, de até 10% nas vazões. Ainda assim, os pesquisadores alertam que mesmo quedas aparentemente menores podem gerar efeitos significativos, especialmente em sistemas já pressionados pela alta demanda por água e energia.

De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), as hidrelétricas representam atualmente 43,7% da capacidade instalada de geração de energia no Brasil. O estudo aponta que cerca de 90% da potência instalada e planejada das hidrelétricas pode sofrer algum nível de impacto em função da redução das vazões médias dos rios.

Especialistas alertam que a falta de adaptação às projeções climáticas pode inviabilizar tanto empreendimentos existentes quanto projetos futuros no setor energético.

Agricultura também será fortemente impactada

O levantamento ressalta que as mudanças no regime de chuvas devem afetar diretamente a produção agrícola. Atualmente, cerca de 90% da agricultura irrigada no país depende de sistemas de pivô central. Além disso, o estudo aponta impactos em 10% do cultivo de arroz e em 90% da agricultura de sequeiro, que depende exclusivamente das chuvas.

Chuvas mais intensas e concentradas

Outro alerta do estudo diz respeito ao aumento da ocorrência de eventos extremos. As projeções indicam crescimento no volume de chuva concentrado em curtos períodos, especialmente em áreas urbanas. No Sul do país, a chuva máxima diária pode aumentar entre 5% e 25%, enquanto nas regiões Norte e Nordeste o crescimento pode ultrapassar 40%, elevando riscos de alagamentos, deslizamentos e danos à infraestrutura.


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