Após impasse na COP30, países articulam rota global para abandonar combustíveis fósseis
Após frustração em Belém, países articulam três encontros internacionais para levar proposta à COP31, na Turquia
A COP30, realizada em Belém, encerrou-se sem incluir na decisão final uma proposta considerada central por diversos países: o mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis. A ausência do tema gerou frustração entre governos, especialistas e organizações da sociedade civil, mas abriu espaço para uma articulação diplomática que deve ganhar força ao longo de 2025.
Três encontros, na Colômbia, na Alemanha e em um país-ilha do Pacífico, serão fundamentais para costurar um plano que permita levar o assunto à agenda oficial da COP31, marcada para o fim de 2026, na Turquia.
A disputa que travou a agenda em Belém
Proposta entrou de última hora e enfrentou resistência de grandes emissores
A discussão sobre a eliminação gradual do petróleo, do carvão e do gás, responsáveis por cerca de três quartos das emissões globais, não fazia parte da pauta formal da COP30. Ainda assim, países favoráveis à proposta tentaram incluí-la na agenda durante os dias finais da conferência.
O movimento tardio dividiu delegações e quase comprometeu o resultado das negociações. China, Índia, Rússia e nações do Oriente Médio lideraram a resistência, inviabilizando a inclusão do tema na declaração final.
Especialistas afirmam que, apesar do impasse, a iniciativa lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que defendeu publicamente a criação do mapa do caminho — gerou uma oportunidade política. Agora, com o Brasil na presidência da COP até novembro de 2026, a expectativa é de uma articulação antecipada e mais robusta.
O caminho até a COP31
Três reuniões estratégicas vão estruturar a proposta ao longo de 2025
O plano para amadurecer o mapa do caminho será impulsionado em três etapas:
- Abril, Santa Marta (Colômbia)
O país sediará um encontro com os 84 governos que declararam apoio à proposta em Belém. A reunião deve definir os primeiros rascunhos da agenda. - Junho, Bonn (Alemanha)
A preparação anual dos órgãos subsidiários da UNFCCC poderá avançar nos pontos técnicos, especialmente os relacionados a financiamento, macroeconomia e subsídios. - Encontro pré-COP em país do Pacífico
Fiji é o destino mais cotado. A região, formada por pequenos Estados insulares altamente vulneráveis às mudanças climáticas, é vista como liderança moral na pressão pela eliminação dos combustíveis fósseis.
Um dos temas centrais do debate são os US$ 5 trilhões anuais direcionados globalmente a subsídios fósseis, considerados a trava estrutural mais profunda para a transição energética.
Pontos em disputa e expectativas para 2026
Brasil quer incluir florestas tropicais no acordo; sociedade civil cobra rapidez
Além da agenda sobre fósseis, o Brasil pretende acoplar às negociações um plano específico para redução de emissões associadas ao desmatamento, envolvendo países com grandes florestas tropicais, como Indonésia e República Democrática do Congo.
Para especialistas, a inclusão oficial do mapa do caminho na COP31 tornou-se decisiva diante da lentidão histórica das conferências em reduzir emissões na velocidade necessária.
A expectativa é que o roteiro construído em 2025 permita que a presidência brasileira leve o tema ao plenário da COP31 com maior chance de consenso — ou, ao menos, menor risco de novo bloqueio político.
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