O que está acontecendo na Amazônia? 5 de agosto de 2025

Antônio Doido é investigado por suspeita de corrupção em obras da COP30; entenda o caso

Investigação da PF e da PGR envolve contratos milionários firmados com empresas ligadas à família do parlamentar

O deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo, supostamente, contratos públicos relacionados à COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será realizada em Belém. As informações são do jornalista Fábio Serapião, do portal Metrópoles.

R$ 48,8 milhões em espécie e contratos de quase R$ 300 milhões

A investigação começou em outubro de 2024, quando a PF flagrou o policial militar Francisco Galhardo com R$ 5 milhões em espécie na saída de uma agência bancária em Castanhal (PA), dois dias antes das eleições municipais. O policial entregava parte do valor a um homem identificado como Geremias Hungria.

A partir do celular apreendido com Galhardo, os investigadores descobriram indícios de compra de votos e transações financeiras de alto valor envolvendo duas construtoras: a J.A Construcons, registrada em nome da esposa do deputado, Andréa Dantas; e a JAC Engenharia, em nome de Geremias Hungria, funcionário de uma fazenda do parlamentar.

Segundo o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Francisco Galhardo sacou R$ 48,8 milhões das contas dessas empresas entre 2023 e 2024.

As duas construtoras venceram licitações no governo do Pará, incluindo dois contratos relacionados à COP30, que somam quase R$ 300 milhões. A PGR aponta fortes indícios de corrupção em ao menos um desses contratos.

Mensagens citam entregas de valores a secretário de Obras

De acordo com a investigação, o PM Francisco Galhardo era funcionário de confiança do deputado e teria atuado na retirada e entrega de valores. Em mensagens de setembro de 2024 — dias após o consórcio ligado ao deputado vencer uma licitação da COP30 — Galhardo tenta contato com o secretário de Obras do Estado, Ruy Cabral, e menciona ter deixado algo com “Andréia”, nome da esposa de Doido.

Para os investigadores, os áudios e mensagens sugerem entrega de dinheiro ligado ao resultado da licitação. A PGR pediu abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que está sob relatoria do ministro Flávio Dino.

Governo do Pará nega envolvimento e diz que licitação foi cancelada

Em nota enviada ao Amazônia no Ar, o Governo do Pará afirmou que os contratos firmados com as empresas investigadas seguiram os trâmites legais e que a licitação mencionada (Concorrência nº 90014/2024) foi revogada em dezembro de 2024, por motivos técnicos. Segundo o Estado, a obra não integrou o pacote oficial de intervenções da COP30.

O governo também afirmou que o secretário Ruy Cabral “jamais celebrou contratos ou manteve relações com o policial investigado”, e que não foi notificado sobre nenhuma investigação.

Ainda segundo a nota, caso seja formalmente acionado, o governo afirma que “adotará imediatamente as medidas cabíveis” e colocará todos os mecanismos de controle à disposição das autoridades.

Confira a nota na íntegra:

“O Governo do Estado do Pará esclarece que as empresas J.A Construcons e JAC Engenharia firmaram contratos com a Administração Estadual exclusivamente por meio de licitações regulares, em conformidade com a legislação vigente e os princípios constitucionais, com toda a documentação disponível nos portais oficiais de compras públicas.

O processo Concorrência nº 90014/2024 foi formalmente revogado em dezembro de 2024, por razões estritamente técnicas, devidamente fundamentadas e publicadas nos canais oficiais, conforme determina a Lei 14.133/2021. Embora tenha sido avaliado nos estudos iniciais que mapearam demandas de infraestrutura para a COP 30, o projeto não integrou o pacote final de obras do evento e, portanto, não está relacionado a serviços ou investimentos vinculados à conferência.

No exercício de suas funções, o Secretário-Executivo da SEOP, Benedito Ruy Cabral, jamais celebrou contratos ou manteve relações comerciais com integrantes da Polícia Militar do Pará, não participou de reuniões com o policial mencionado, não recebeu bens, valores ou benefícios e não foi notificado sobre investigação que o envolva. Sua interlocução com órgãos públicos e representantes da sociedade civil ocorre exclusivamente para atender ao interesse público, sem qualquer vínculo de natureza privada.

O Governo do Pará reitera que não foi acionado ou notificado sobre qualquer procedimento investigativo relacionado às contratações citadas e que, caso isso ocorra, adotará imediatamente as medidas cabíveis e apresentará todas as informações necessárias para a apuração dos fatos, reafirmando seu compromisso com a probidade e a transparência na gestão pública.”

O que diz a defesa do Deputado?

A defesa do deputado Antônio Doido declarou que “repudia o vazamento de informações sigilosas” e que os questionamentos são “fruto de ilações”. Afirmou ainda que o parlamentar está à disposição da Justiça e tem “tranquilidade em relação a todos os atos praticados”.


*Com informações de Fábio Serapião / Metrópoles

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