O que está acontecendo na Amazônia? 25 de julho de 2025

Amazônia concentra quase metade dos conflitos no campo; Pará lidera casos de violência, diz CPT

Relatório da Comissão Pastoral da Terra aponta que mais de 40% dos conflitos no campo em 2023 ocorreram na Amazônia Legal, com o Pará liderando em assassinatos, ameaças e destruições de lavouras.

O Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro, lançado na última segunda-feira (21), durante o 5º Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), revela que a Amazônia responde por 44% dos mais de 50 mil conflitos no campo registrados entre 1985 e 2023. A publicação foi apresentada em São Luís (MA), durante as comemorações dos 50 anos da entidade ligada à Igreja Católica.

Considerada referência na produção de dados sobre violência agrária, a CPT identificou que a maioria dos casos (84%) está relacionada à disputa por terra, seguidos por casos de trabalho escravo (8,9%) e conflitos por água (7,1%).

Expansão do agronegócio e mineração intensifica a violência

De acordo com o estudo, desde 2008, a Amazônia concentra mais da metade dos casos registrados anualmente, chegando a 57% em 2016. O relatório aponta que “a Amazônia é a região para onde se expandiram o agronegócio e a mineração, em muitos casos avançando sobre terras públicas e devolutas, promovendo processos de expropriação de indígenas, quilombolas e camponeses”.

Todos os dez municípios mais conflituosos do país estão na Amazônia Legal — sete deles no Pará, como Marabá, São Félix do Xingu e Altamira. O estado também lidera em assassinatos (612), tentativas (420) e ameaças de morte (1.597).

Povos indígenas sofrem aumento de violência nos últimos anos

Entre 1985 e 2023, foram registradas 4.559 ocorrências envolvendo povos indígenas, sendo mais da metade (2.501) apenas nos últimos cinco anos. Quase todos os conflitos são por terra (92%), com destaque para casos ligados à atividade mineradora ilegal.

Segundo Roberta Aruzzo, professora da UFRRJ e coordenadora da análise de dados do atlas, “o crescimento dos conflitos envolvendo os povos indígenas é visível em todas as regiões, especialmente na Amazônia a partir de 2019”.

Entre 2004 e 2023, a Amazônia também lidera nos assassinatos de indígenas, com 71 dos 135 casos registrados no país.

Violência contra quilombolas cresce diante da falta de titulação

Desde 2000, quando a CPT passou a incluir a categoria quilombola em sua base de dados, foram registradas 430 ameaças de morte a essa população. O Maranhão lidera em número de conflitos e localidades quilombolas, seguido por Bahia e Minas Gerais.

“O Censo ainda revela que apenas 4,3% dessa população reside em territórios titulados, o que demonstra a vulnerabilidade territorial e a imperativa r-existência quilombola”, aponta o relatório.

Cerrado também enfrenta aumento de tensões

Os conflitos no Cerrado cresceram nas últimas duas décadas, especialmente entre 2008 e 2015. Segundo a pesquisadora Diana Aguiar, da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, esse avanço está ligado ao “neoextrativismo”, modelo de desenvolvimento baseado na exportação de commodities, como soja e minérios, que amplia a pressão sobre os territórios.

Sobre o estudo

O Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro foi produzido em parceria com universidades públicas como a Uerj, UFF, UFRRJ e outras instituições, com base no banco de dados da CPT organizado desde 1985 pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc).

Com informações de Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES).

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