Operação Igapó: Antônio Doido, prédio mais caro da capital e celulares voadores
Você já tinha visto celular voar pela janela? Agora o Brasil inteiro já viu. Durante uma ação da Polícia Federal, dois aparelhos celulares foram arremessados do apartamento do deputado federal Antônio Doido (MDB) no momento em que agentes cumpriam mandados de busca e apreensão. As imagens circularam amplamente nas redes sociais e chamaram atenção para […]
Você já tinha visto celular voar pela janela? Agora o Brasil inteiro já viu. Durante uma ação da Polícia Federal, dois aparelhos celulares foram arremessados do apartamento do deputado federal Antônio Doido (MDB) no momento em que agentes cumpriam mandados de busca e apreensão. As imagens circularam amplamente nas redes sociais e chamaram atenção para a gravidade do caso.
A operação, batizada de Igapó, foi deflagrada nesta terça-feira (15) e tem como objetivo investigar a atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Um dos principais alvos é justamente o parlamentar.
Segundo a Polícia Federal, o esquema investigado envolve o desvio de emendas parlamentares, que deveriam beneficiar municípios e estados, mas que estariam sendo direcionadas ao bolso de políticos por meio de pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.
Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, já que o caso envolve parlamentar com foro privilegiado.
Além do deputado, a operação também teve como alvo o secretário de Estado de Obras Públicas do Pará, Ruy Cabral, citado na investigação por suposta ligação com movimentações financeiras consideradas suspeitas, envolvendo empresas associadas ao parlamentar.
As apurações indicam que empresas ligadas a Antônio Doido acumulam cerca de R$ 1 bilhão em contratos com o Governo do Estado do Pará, o que levantou suspeitas sobre a regularidade dessas contratações. O deputado já havia sido citado em investigações anteriores relacionadas a supostos desvios de recursos de obras ligadas à COP30.
Em Belém, a Polícia Federal também atuou em um dos prédios residenciais mais caros da cidade, onde apartamentos chegam a custar entre R$ 15 e R$ 20 milhões. A pergunta que ecoa é inevitável: como parlamentares, com salários públicos, acumulam patrimônio dessa magnitude?
A Polícia Federal apura crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e organização criminosa. Até o momento, não há informações sobre prisões decorrentes da operação.
Em nota enviada ao Amazônia no Ar, a Secretaria de Estado de Obras Públicas afirmou que todas as contratações seguem rigorosamente o processo licitatório, respeitando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e economicidade. A pasta informou ainda que colabora com os órgãos de controle e está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.