HELDER BARBALHO VAI A BRASÍLIA DEFENDER RURALISTAS EM OPOSIÇÃO AO IBAMA
No Pará da COP 30, o alvo é o IBAMA Faltando pouco mais de um ano para a COP 30, o Pará deveria estar se consolidando como exemplo de compromisso ambiental. Mas o que se formou recentemente no estado foi uma verdadeira força-tarefa — contra o IBAMA. Isso mesmo: em vez de apoio à fiscalização […]
No Pará da COP 30, o alvo é o IBAMA
Faltando pouco mais de um ano para a COP 30, o Pará deveria estar se consolidando como exemplo de compromisso ambiental. Mas o que se formou recentemente no estado foi uma verdadeira força-tarefa — contra o IBAMA. Isso mesmo: em vez de apoio à fiscalização do desmatamento ilegal, o que se viu foi uma mobilização de políticos para barrar a atuação do órgão ambiental.
Tudo começou com a Operação Embargaço, ação do IBAMA que utiliza imagens de satélite cruzadas com dados oficiais para identificar áreas desmatadas sem licença. Se há devastação e não há autorização válida, configura-se crime ambiental. Só em Altamira, no sudoeste do estado, 544 propriedades foram embargadas após a constatação de desmatamento ilegal. O embargo impede atividades produtivas e bloqueia o acesso a crédito rural.
A resposta política foi imediata. Deputados estaduais se posicionaram contra o IBAMA na Assembleia Legislativa. Parlamentares da base do governo Lula — como os senadores Airton Faleiro e Beto Faro, ambos do PT — acompanharam o governador Helder Barbalho (MDB) a Brasília para pressionar o governo federal contra a operação, ao lado de lideranças ruralistas. O encontro com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, revelou uma articulação ampla para questionar a fiscalização ambiental em plena Amazônia.
O mais grave é o silêncio. Nenhum parlamentar da bancada paraense se levantou em defesa do IBAMA ou da legalidade da operação. Nem mesmo os que se elegeram sob a bandeira da proteção ambiental. A ausência de posicionamentos públicos reforça o isolamento dos fiscais ambientais, que atuam em um dos contextos mais difíceis do país.
Em resposta, o Ministério de Relações Institucionais afirmou ter iniciado diálogo com o IBAMA e com o Ministério do Meio Ambiente para avaliar os questionamentos apresentados pelo governador. O IBAMA ainda não respondeu aos contatos da reportagem.
Num momento em que o Brasil se apresenta ao mundo como anfitrião da próxima COP, essa ofensiva contra o principal órgão de fiscalização ambiental do país acende um alerta. Afinal, qual é o compromisso real dos nossos representantes com a Amazônia? Porque, até agora, o que se vê é um discurso de proteção que se desfaz diante do poder do agronegócio.