Exclusivo: A PEC da Blindagem Expostos em Belém
Dinheiro da Mineração Evapora: Cidades do Pará Lideram o Ranking da Pobreza Apesar de Bilhões Enquanto o Brasil debate o futuro da Amazônia, um novo estudo da Agenda Pública joga luz sobre a brutal contradição da mineração: a atividade move bilhões, mas a riqueza não fica. A pesquisa analisou 79 municípios dependentes da mineração e […]
Dinheiro da Mineração Evapora: Cidades do Pará Lideram o Ranking da Pobreza Apesar de Bilhões
Enquanto o Brasil debate o futuro da Amazônia, um novo estudo da Agenda Pública joga luz sobre a brutal contradição da mineração: a atividade move bilhões, mas a riqueza não fica. A pesquisa analisou 79 municípios dependentes da mineração e os resultados para o Pará são um soco no estômago: quatro das cinco cidades com pior desempenho social do Brasil são paraenses.
As campeãs da miséria em meio ao minério são Santa Maria das Barreiras, Ipixuna do Pará, Cumaru do Norte e Oriximiná.
A despeito da arrecadação robusta de CFEM (a Compensação Financeira pela Exploração Mineral), essas cidades mostram um cenário de infraestrutura precária, falta de saneamento, serviços públicos ruins e intensa degradação ambiental.
O BT Amazônia apurou um segundo estudo, da UFMG para a MIG Brasil, que complementa o drama: morar em cidade mineradora é mais caro. Em Parauapebas, por exemplo, o custo de vida é 10,2% superior a Belém. O aluguel, a cesta básica e as despesas pessoais disparam, corroendo o poder de compra da população local e dos terceirizados. Enquanto os cofres das mineradoras e de poucos políticos se enchem, o povo arca com o custo social e ambiental. O recado é claro: a atividade pode ser legal, mas a conta não fecha para quem vive por aqui.
O Bar do Prefeito no Mercado de São Brás: Moralidade em Disputa
O bafafá que chegou à nossa redação e acendeu o alerta em Belém: o bar do irmão do prefeito Igor Normando (MDB), o Seu Beijo, que já causava polêmica por lotar e ocupar a Rua Benjamim, está entre os selecionados para a segunda fase da disputa de concessão do recém-reformado Mercado de São Brás.
O espaço, que será um dos pontos nevrálgicos da COP-30, está sendo cobiçado em um edital acirradíssimo. A reportagem apurou que o CNPJ do Seu Beijo tem como um dos sócios o vereador Renan Centeno Normando, irmão do prefeito.
Consultamos um jurista especializado que confirmou a manobra: não há, tecnicamente, ilegalidade no caso, a menos que se comprove favorecimento direto ou que o parente seja da direção da secretaria envolvida.
No entanto, o questionamento que fica é puramente moral: como se sentem os donos de bares e restaurantes que disputam um edital público com o irmão da autoridade máxima municipal? O BT Amazônia cobrou um posicionamento da Prefeitura sobre a moralidade do processo e a data do resultado, mas não obteve resposta até o momento.
PEC da Blindagem: O Voto da Bancada Paraense e o “Básico” que Virou Exceção
O Congresso Nacional chacoalhou com a aprovação, na Câmara, da controversa PEC da Blindagem (ou da Impunidade), que amplia a proteção judicial para parlamentares. O Pará, claro, teve sua participação no drama.
A bancada seguiu a tendência e 13 deputados votaram “Sim” a favor da PEC no primeiro turno. No meio do tiroteio, o PT teve seu momento de indecisão, com Airton Faleiro mudando o voto de “Sim” para “Não” no segundo turno, justificando a lambança como “estratégia política” para barrar o projeto de anistia aos golpistas.
Mas o grande destaque—e o aplauso que se dá ao básico—foi para o deputado Júnior Ferrari (PSD), que foi o único a votar “Não” nos dois turnos. Um exemplo de coerência, mesmo que, como se diz nos bastidores, “aplaudir o básico” seja um retrato deprimente da política nacional.
Enquanto isso, a reprovação popular explodiu nas redes:
- Dilvanda Faro (PT) e Andreia Siqueira (MDB) foram as únicas que, pressionadas pela cobrança dos eleitores, optaram por trancar os comentários em seus perfis.
- Os demais treze que votaram “Sim” —incluindo nomes como Delegado Caveira (PL), Éder Mauro (PL) e José Priante (MDB)— mantiveram-se em silêncio sepulcral.
Agora, o foco se volta para o Senado, com a bancada paraense de Beto Faro (PT), Jader Barbalho (MDB) e Zequinha Marinho (PL) sob intensa cobrança. A tendência nacional é que a PEC seja derrubada no Senado, mas os olhares estão atentos para quem vai manter o voto em nome do povo.
Boa Notícia para Fechar: Santarém Vira a Capital Mundial da Comida
Para equilibrar o clima de treta, temos um ponto de puro orgulho paraense: a cidade de Santarém, a Pérola do Tapajós, no Oeste do Pará, vai sediar, pela primeira vez no Brasil, o Fórum Mundial do Turismo Gastronômico da ONU, em fevereiro de 2026.
O anúncio, feito durante a Festa do Sairé em Alter do Chão, coloca Santarém no centro do mapa global da culinária, atraindo mais de 500 representantes e chefs de todo o mundo. A notícia consagra a luta de chefs locais, como Saulo Jennings (embaixador gastronômico da ONUTIS), que celebrou a oportunidade de conectar produtores, chefes e a cadeia da gastronomia, confirmando que o Pará tem uma “cozinha com identidade própria e nível internacional”.
Tucupi, pirarucu e cacau agora têm um palco mundial. Quem sabe esse holofote não inspire mais investimentos na cultura local?