Jornal 16 de maio de 2025

COBERTURA DA COP 30 POR VEÍCULOS NACIONAIS SERÁ FINANCIADA POR “DEGRADADORAS” DA AMAZÔNIA

COP 30: Quem vai contar a história da Amazônia? Pare tudo por um instante e preste atenção. O que está em jogo na COP 30 não é só o clima. É a narrativa sobre quem somos, o que vivemos e quem vai contar essa história. E a verdade é dura: os maiores responsáveis pela destruição […]

COP 30: Quem vai contar a história da Amazônia?

Pare tudo por um instante e preste atenção. O que está em jogo na COP 30 não é só o clima. É a narrativa sobre quem somos, o que vivemos e quem vai contar essa história. E a verdade é dura: os maiores responsáveis pela destruição da Amazônia estão financiando a cobertura jornalística do maior evento climático do mundo.

Agronegócio, mineração legal e ilegal, grilagem e grandes corporações — os principais motores da degradação ambiental na região — agora assumem o papel de patrocinadores de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico, Estadão e CBN. Durante a COP 30, nomes como JBS, Vale, Hydro e Syngenta vão bancar estúdios, transmissões e eventos paralelos em Belém. Tudo isso para “falar de clima”.

Chama-se greenwashing: pintar de verde uma reputação manchada por décadas de impactos socioambientais. Como bem apontou o jornalista Daniel Camargo, da Carta Capital, essa presença midiática não é coincidência — é estratégia. E o risco é claro: transformar veículos de imprensa em vitrines corporativas, diluindo o debate, apagando os conflitos e higienizando a imagem dos grandes poluidores.

Sim, eles devem estar na COP. Mas não como protagonistas, e sim como réus, prestando contas à sociedade. O que não dá é aceitar que as soluções para a crise climática venham justamente de quem continua causando o problema.

Enquanto isso, comunicadores e veículos amazônidas, feitos por gente que vive e sente essa terra, seguem sem apoio, sem patrocínio, sem palco. Mas seguimos com algo que o dinheiro não compra: legitimidade. Queremos, sim, mostrar os projetos das grandes empresas — desde que possamos também ouvir os povos impactados, as comunidades tradicionais, os pesquisadores independentes. Sem filtro. Sem roteiro pronto.

Querem participar do debate? Então respondam: quantas terras indígenas suas operações ameaçam? Quanto de floresta já foi destruído? Como está a água dos rios que vocês cercam com seus empreendimentos? O que têm feito, de fato, pela transição energética?

Enquanto essas respostas não vierem, tudo o que nos oferecem é maquiagem. E com o futuro da Amazônia em jogo, não dá pra aceitar espetáculo. O jornalismo não é propaganda. É resistência. E nós estamos aqui por isso.

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