Jornal 25 de junho de 2025

Belém em Estado de Alerta: o colapso político, ambiental e social que ninguém quer ver

Belém sem CPI dos Guinchos: contratos suspeitos, silêncio institucional e o show da política TikTok Enquanto cidadãos de Belém enfrentam blitze diárias, remoções de veículos e cobranças abusivas, a Câmara Municipal ignora um dos casos mais graves de suspeita de corrupção da atual legislatura. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o contrato emergencial […]

Belém sem CPI dos Guinchos: contratos suspeitos, silêncio institucional e o show da política TikTok

Enquanto cidadãos de Belém enfrentam blitze diárias, remoções de veículos e cobranças abusivas, a Câmara Municipal ignora um dos casos mais graves de suspeita de corrupção da atual legislatura. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o contrato emergencial entre a Prefeitura de Belém e a empresa Auto Lance Pátio e Leilões — responsável por guinchos e pátios de retenção de veículos — ainda não foi instaurada. E, ao que tudo indica, nem será.

O pedido de abertura da CPI foi protocolado pela vereadora Agatha Barra (PL), mas contou com apenas cinco assinaturas: além da própria, assinaram Mayky Vilaça e Zezinho Lima (PL), Marinor Brito e Vivi Reis (PSOL). O mínimo necessário seriam 11, um terço dos 35 vereadores da Casa.

A empresa foi contratada sem licitação e tem sede em Xinguara, no sul do Pará. Um dos sócios, Clidean Ferreira Chaves, é irmão de Cleiton Chaves — ex-chefe de gabinete do prefeito Igor Normando e atual secretário de Zeladoria Urbana. Segundo levantamento do Amazônia no Ar, a operação rendeu aproximadamente meio milhão de reais à empresa com base nos valores mínimos cobrados por mais de 1.500 veículos removidos.

Procurada, a Prefeitura informou que o contrato foi rescindido em 20 de maio e justificou a contratação emergencial com base na ausência de contrato regular da empresa anterior. Ainda assim, a proximidade entre o sócio da Auto Lance e um ex-braço direito do prefeito levanta sérias dúvidas. O Ministério Público foi acionado para comentar possíveis investigações, mas até o momento não respondeu.

Vereadores no ringue: o MMA como “inovação política”

Enquanto a CPI dos guinchos naufraga, o foco dos vereadores de Belém parece estar em outro lugar: nos holofotes da internet. No último domingo (22), os vereadores Lulu das Comunidades (PSDB) e André Martha (PSD) protagonizaram uma luta de boxe durante o evento “The King Fight”, no Ginásio Mangueirinho.

O confronto — promovido com direito a empate técnico e doação de cestas básicas — foi idealizado por Martha, que alegou estar “reinventando a política”. A luta viralizou nas redes sociais, mas gerou críticas duras sobre o uso da imagem pública para autopromoção. “Vereador não é influencer. É fiscal do povo”, disse a apresentadora Mary Tupiassu.

A Câmara afirmou não ter envolvimento institucional com o evento e tratou a luta como “ação pessoal” dos parlamentares. Os patrocinadores do torneio, entre eles o Banpará, foram contatados para esclarecer se sabiam da participação de políticos e quais outros projetos sociais apoiam na cidade.

Segurança pública e a ficção institucional

Na mesma semana em que Belém se tornou assunto internacional por supostos abusos de preços na rede hoteleira, a cidade também chocou pelo registro de um assalto à luz do dia na Praça Batista Campos. A vítima gritou por socorro e lutou contra um criminoso armado, enquanto câmeras de celulares registravam tudo.

Horas depois, o prefeito publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que “Belém tem ordem”, exaltando a ação da Guarda Municipal. Mas a população não comprou a narrativa. Comentários nas redes acusam a gestão de “maquiar” a cidade para a internet. “O rapaz está vivo por sorte, não por segurança pública”, comentou Tupiassu durante o programa.

Hospedagem e COP30: do caos à regulação

A polêmica sobre preços abusivos de hospedagem em Belém, revelada durante a prévia da COP30 em Bonn, na Alemanha, parece estar começando a se resolver. Após pressão de entidades e da imprensa, os valores caíram significativamente. Em plataformas como o Booking, diárias para duas pessoas já giram em torno de R$ 250 — valor inferior aos R$ 1.000 vistos no início do ano.

O governo federal contratou a empresa Bnetwork para lançar ainda este mês a plataforma oficial de hospedagem da COP30, prometendo leitos em escolas adaptadas, navios e prédios públicos. “A bagunça só reforça a falta de planejamento. Agora é correr pra apagar o incêndio”, diz o texto do Amazônia no Ar.

A apresentadora Mary Tupiassu também fez um alerta aos estrangeiros: “Venham conscientes. Aqui não é Dubai, não é Miami. Aqui é Amazônia, com toda sua complexidade social e histórica.”

Navio-sonda da Petrobras chega à Foz do Amazonas

E por falar em Amazônia: o navio-sonda NS-42, da Petrobras, deve chegar ao litoral do Amapá no próximo domingo (29). A embarcação vai realizar simulações de emergência como parte do processo de licenciamento para exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas.

Mais de 400 pessoas, helicópteros e embarcações estarão envolvidas. O Ministério Público Federal, no entanto, pediu à Justiça a suspensão do processo por falta de estudos climáticos e de consulta a povos indígenas. O Ibama, procurado pelo Amazônia no Ar, ainda não respondeu.

Com tantos riscos e investimentos bilionários, a pergunta que fica é: por que essa energia não está sendo usada na transição energética?

Por Mary Tupiassu

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