Jornal 18 de dezembro de 2025

Áudio revela ameaça contra mulher na Câmara de Vereadores de Belém

Uma investigação conduzida pelos veículos Tapajós de Fato e Repórter Brasil, com apoio da Associação de Jornalismo Digital (AJOR), do InfoAmazonia e do Instituto Serrapilheira, revelou um grave problema de saúde pública no oeste do Pará: o crescimento acelerado de intoxicações por agrotóxicos em áreas de expansão da soja e do milho. Dados do Painel […]

Uma investigação conduzida pelos veículos Tapajós de Fato e Repórter Brasil, com apoio da Associação de Jornalismo Digital (AJOR), do InfoAmazonia e do Instituto Serrapilheira, revelou um grave problema de saúde pública no oeste do Pará: o crescimento acelerado de intoxicações por agrotóxicos em áreas de expansão da soja e do milho.

Dados do Painel de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, do Ministério da Saúde, mostram que os casos de contaminação aumentaram 545% nos últimos cinco anos nos municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos. Entre 2021 e 2025, foram registrados 200 casos nessas cidades. No período anterior, haviam sido apenas 31 notificações. Juntos, os três municípios concentram cerca de 10% de todas as intoxicações por agrotóxicos no Pará na última década.

O avanço é muito superior à média estadual. Em todo o Pará, as notificações cresceram 150% no mesmo período. A reportagem aponta que esse cenário acompanha diretamente a expansão do agronegócio no chamado Planalto Santareno. Em dez anos, a área plantada com soja e milho mais que triplicou, saltando de 66 mil para 217 mil hectares, segundo o IBGE, enquanto culturas tradicionais como a mandioca perderam espaço.

Grande parte das intoxicações está diretamente ligada às lavouras. Cerca de 80% dos casos registrados envolvem agrotóxicos usados na produção de soja, especialmente por meio de pulverizações realizadas próximas às comunidades.

Indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais relatam impactos constantes. Segundo os moradores, o veneno atinge casas, pessoas, rios e igarapés, muitas vezes sem respeito às distâncias mínimas de segurança previstas em lei.

O Ministério Público Federal confirmou as denúncias e reconheceu falhas na fiscalização. Por isso, acionou a Justiça para cobrar medidas emergenciais de proteção, especialmente em áreas próximas a aldeias, escolas, unidades de saúde e cursos d’água.

Pesquisas também apontam aumento de doenças do sistema nervoso em municípios da região e sinais de exposição crônica em moradores que vivem próximos às lavouras. Os estudos relacionam esses efeitos ao uso intensivo do glifosato, o agrotóxico mais utilizado no Brasil. Recentemente, inclusive, um estudo que atestava a segurança do produto foi despublicado após 25 anos.

Enquanto isso, comunidades seguem expostas. A Amazônia continua sendo envenenada — seus rios, seus territórios e suas pessoas — sem respostas à altura da gravidade do problema.

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