Amazônia no Ar: pesquisa sobre COP30, punição em Alter do Chão e os bastidores políticos do Pará
A menos de dois meses da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Belém se prepara para receber líderes mundiais, cientistas, ativistas e artistas interessados em participar da primeira edição do evento realizada na Amazônia. Uma nova pesquisa divulgada pela Revista Cenarium, em parceria com o Ipsos-Ipec, revelou um dado curioso sobre a […]
A menos de dois meses da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Belém se prepara para receber líderes mundiais, cientistas, ativistas e artistas interessados em participar da primeira edição do evento realizada na Amazônia. Uma nova pesquisa divulgada pela Revista Cenarium, em parceria com o Ipsos-Ipec, revelou um dado curioso sobre a percepção dos brasileiros: embora a maioria apoie a realização da COP no país, poucos sabem de fato o que é a conferência e sua importância para o futuro climático do planeta.
Marcada para acontecer entre os dias 10 e 21 de novembro, a COP30 promete colocar o Pará no centro do debate global sobre meio ambiente, justiça climática e transição ecológica. A expectativa é de que Belém se transforme em um grande palco de discussões internacionais — e também culturais — durante o período.
Punição em Alter do Chão reacende debate sobre consciência ambiental
O caso da árvore arrancada às margens do Lago Verde, em Alter do Chão (Santarém), durante a preparação para um casamento, voltou a repercutir na última semana. A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), aplicou multa e medidas compensatórias ao dono da casa responsável pelo corte ilegal de uma árvore nativa de comandá em área de preservação ambiental.
A decisão, assinada pela secretária Vânia Portela, no dia 6 de outubro, classificou o ato como infração gravíssima. O infrator foi multado em R$ 1.883,76, além de ser obrigado a plantar 30 mudas de espécies nativas, realizar o monitoramento por três anos e isolar o toco para permitir a regeneração natural.
Apesar da punição, ambientalistas consideraram o valor da multa brando diante do impacto ambiental causado, e reforçaram a necessidade de medidas mais rigorosas para crimes ambientais cometidos dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão.
O episódio, que gerou indignação nas redes sociais, tornou-se um símbolo de como o comportamento humano continua a ameaçar o equilíbrio da natureza. “A crise climática é resultado direto da ação do homem sobre a natureza”, disse o apresentador do Amazônia no Ar, em editorial. “O ser humano ainda acredita ser superior ao reino vegetal, quando, na verdade, depende totalmente dele para existir”.
Celso Sabino entre o governo e o partido: bastidores de uma disputa política
Outro destaque da semana envolve o ministro paraense Celso Sabino, que enfrenta turbulências políticas dentro do União Brasil. O partido, que rompeu oficialmente com o governo federal há mais de um mês, cogita expulsar Sabino por ele continuar alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto isso, o ministro do Turismo tem aproveitado o momento político e a visibilidade em torno da COP30 para fortalecer sua imagem como defensor do Pará e da Amazônia. Recentemente, Sabino ganhou destaque ao reverter a decisão que proibia comidas típicas paraenses nos cardápios oficiais da conferência — medida que lhe rendeu elogios e grande repercussão nas redes.
Além disso, o ministério lançou uma campanha nacional estrelada pela cantora Joelma, com o slogan “O mundo é brega e Belém é a capital”, celebrando a cultura paraense.
Nos bastidores, há rumores de que Sabino estaria negociando filiação ao PT, o que reforçaria sua aproximação com o governo. O movimento, no entanto, gerou críticas de antigos aliados do bolsonarismo, lembrando que o ministro já integrou a base do ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.
A polêmica se estendeu ao mundo do carnaval: a escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná chegou a anunciar o enredo “Guerreiro da Amazônia: uma epopeia de coragem e preservação, Celso Sabino”, em homenagem ao ministro. A repercussão negativa foi imediata e, após críticas, a publicação foi retirada do ar.
Belém será a capital simbólica do Brasil durante a COP30
Em outro movimento simbólico, o Senado Federal aprovou um projeto que transfere temporariamente a capital do Brasil para Belém, entre 11 e 21 de novembro, durante a realização da COP30.
Na prática, a medida permite que atos e decretos oficiais do governo federal sejam assinados com Belém como sede do Executivo, Legislativo e Judiciário no período. O gesto reforça a mensagem de que o país reconhece a Amazônia como centro estratégico nas discussões climáticas globais.
A proposta, apoiada por senadores do Pará, segue agora para sanção presidencial e deve consolidar Belém como o coração político e simbólico do Brasil durante o maior evento climático do planeta.
Por Livia Leoni