Jornal 6 de janeiro de 2026

Amazônia em alerta: a verdade que ninguém te conta sobre a invasão da Venezuela pelos EUA

Não existe argumento plausível para defender Nicolás Maduro. O regime venezuelano acumula quase 15 anos de violações sistemáticas de direitos humanos, com perseguições políticas, prisões arbitrárias, denúncias de tortura, eleições questionadas e uma das maiores crises humanitárias da história recente da América Latina. Milhões de venezuelanos foram forçados ao exílio enquanto a comunidade internacional, em […]

Não existe argumento plausível para defender Nicolás Maduro. O regime venezuelano acumula quase 15 anos de violações sistemáticas de direitos humanos, com perseguições políticas, prisões arbitrárias, denúncias de tortura, eleições questionadas e uma das maiores crises humanitárias da história recente da América Latina. Milhões de venezuelanos foram forçados ao exílio enquanto a comunidade internacional, em nome do princípio da “soberania”, escolheu a omissão.

Mas é justamente esse conceito de soberania que precisa ser discutido agora sob outra ótica: a soberania do povo venezuelano — e a soberania da Amazônia.

Condenar a ditadura de Maduro não é incompatível com denunciar a instrumentalização da crise venezuelana pelos Estados Unidos. O que está em jogo não é apenas democracia ou direitos humanos, mas uma profunda disputa geopolítica por território, recursos naturais e controle estratégico.

Cerca de 40% do território da Venezuela está dentro da Amazônia. Durante anos, as relações do regime de Maduro com China e Rússia se basearam majoritariamente na exploração de petróleo e minerais. Com a entrada direta dos Estados Unidos no cenário, o risco se amplia: não se trata de libertação, mas de reposicionamento de poder sobre a maior floresta tropical do planeta.

Sob o discurso de combate ao narcotráfico e ao chamado “narcoterrorismo”, os Estados Unidos e aliados da OTAN vêm fortalecendo uma narrativa perigosa: a Amazônia como um território ingovernável, uma “zona de risco global” que exigiria tutela internacional. Essa lógica transforma a floresta em justificativa para ocupação militar, esvazia a soberania dos países amazônicos e desloca o centro de decisão para o Norte Global.

Essa estratégia não começa nem termina na Venezuela. A Amazônia já vive conflitos intensos: garimpo ilegal, avanço do agronegócio predatório, grilagem de terras e a infiltração do crime organizado em cadeias econômicas legais. Esse cenário é usado como argumento para defender intervenções externas “em nome da segurança”.

O que está em curso é um redesenho da geopolítica mundial, com a Amazônia no centro do tabuleiro. Ignorar isso é aceitar narrativas simplificadas que escondem o verdadeiro objetivo: o controle da floresta mais rica e estratégica do mundo.

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