Conteúdo especial 19 de março de 2026

Escândalo na capital da Amazônia: Apreensão de R$ 500 mil revela lista com nomes de deputados do Pará

A investigação da Polícia Federal sobre a apreensão de R$ 500 mil em espécie, ocorrida na última segunda-feira (16), ganhou novos desdobramentos que atingem diretamente a bancada paraense na Câmara dos Deputados. Documentos manuscritos encontrados com os suspeitos citam ao menos quatro parlamentares da base de apoio do governo estadual, acompanhados de cifras que chegam […]

A investigação da Polícia Federal sobre a apreensão de R$ 500 mil em espécie, ocorrida na última segunda-feira (16), ganhou novos desdobramentos que atingem diretamente a bancada paraense na Câmara dos Deputados. Documentos manuscritos encontrados com os suspeitos citam ao menos quatro parlamentares da base de apoio do governo estadual, acompanhados de cifras que chegam a R$ 538 mil.

Os nomes listados no rascunho são os dos deputados federais paraenses: Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB). Embora o documento não especifique a natureza dos pagamentos, os valores anotados variam entre R$ 100 mil e mais de meio milhão de reais. A “planilha” também faz menção a prefeituras do Marajó e à Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

O esquema e as prisões

O caso começou com a prisão em flagrante de três homens, entre eles Michel Silva Ribeiro, servidor da Casa Civil do Pará, após um saque de R$ 500 mil em uma agência bancária no bairro de Batista Campos. O grupo, que utilizava um veículo blindado e reagiu à abordagem policial com resistência armada, é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa.

A peça central do inquérito é a empresa Solucione Produções, que detém contratos de R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará (FCP) via inexigibilidade de licitação. A PF apura se esses recursos públicos foram desviados para alimentar o caixa capturado na operação.

O que dizem os citados

Em nota, o deputado Keniston Braga declarou surpresa com a citação e afirmou desconhecer os investigados, informando que solicitará esclarecimentos oficiais à PF. Raimundo Santos, que aparece vinculado ao maior valor (R$ 538 mil), classificou a menção como “estranha” e negou ter destinado emendas para eventos culturais no estado. Até o momento, os deputados Henderson Pinto e Olival Marques não se manifestaram.

A Polícia Federal ressalta que, apesar das citações no material manuscrito, os parlamentares ainda não figuram como investigados formais no relatório inicial. O foco atual da perícia é a quebra de sigilo dos aparelhos eletrônicos apreendidos para identificar se a lista manuscrita representa um esquema de partilha de propina ou tráfico de influência.

*Matéria realizada com informaçōes do colunista Lauro Jardim nos jornais Ponta de Pauta e O GLOBO.

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