O que está acontecendo na Amazônia? 19 de setembro de 2025

População do Amapá prefere a bioeconomia à exploração de petróleo, mostra pesquisa

Pesquisa aponta que jovens e comunidades tradicionais preferem alternativas ligadas à sociobioeconomia, preservação ambiental e valorização cultural.

Enquanto avança o debate sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, no Amapá, grande parte da população do estado demonstra preferência por modelos econômicos sustentáveis. Um levantamento realizado pela Offerwise, encomendado pelo Instituto Mapinguari e pela Rede Conhecimento, revela que a maioria dos amapaenses associa o futuro econômico à preservação ambiental e ao fortalecimento cultural, e não à indústria petrolífera.

Jovens e mulheres lideram rejeição ao petróleo

Com metade da população amapaense tendo até 27 anos, os jovens se destacam no apoio a atividades ligadas à proteção da natureza. Entre os entrevistados de 17 a 29 anos, 80% afirmaram desejar empregos em áreas ambientais, como turismo comunitário, pesca sustentável e bioeconomia.

As mulheres, que representam pouco mais da metade da população, reforçam essa visão: 62% delas se dizem contrárias ou indecisas quanto à exploração de petróleo na região. Para muitas, conservar rios e florestas não é apenas um cuidado ambiental, mas uma questão de saúde, segurança alimentar e preservação dos modos de vida comunitários.

Comunidades tradicionais e visão de futuro

A pesquisa também mostrou que negros e pardos, que somam 73,7% da população do Amapá, veem a preservação ambiental como forma de garantir identidade cultural e autonomia. Mais de 70% dos que desejam trabalhar na área ambiental pertencem a esses grupos. Em contrapartida, 65% afirmam não se enxergar atuando no setor petrolífero, e 40% temem a chegada de mão de obra de fora, o que poderia ameaçar a economia local e os modos de vida tradicionais.

As diferenças de classe também influenciam as opiniões: enquanto parcelas mais ricas da população associam grandes empreendimentos ao crescimento econômico, as classes populares priorizam atividades de baixo impacto e que mantenham os vínculos comunitários. Ainda assim, há um ponto de consenso: para 83% da população, conservar rios e mares é essencial para garantir renda, alimentação e cultura; 66% citam as florestas e 65% os rios como as maiores riquezas do estado.

Sustentabilidade como caminho

O estudo indica que o Amapá tem potencial para se tornar referência em desenvolvimento sustentável, apostando em alternativas como pesca artesanal, agricultura familiar e turismo comunitário. Essas atividades unem geração de trabalho, preservação ambiental e fortalecimento cultural. Especialistas envolvidos na pesquisa defendem que o estado pode evitar ciclos históricos de exploração e abandono, mostrando que economia e preservação podem caminhar lado a lado.

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