65% da população brasileira admite não conhecer a Amazônia, revela pesquisa
Estudo revela desconhecimento sobre a bioeconomia amazônica e destaca oportunidades para aproximar a floresta do cotidiano nacional e do consumo sustentável
Uma pesquisa conduzida pela Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO), em parceria com a FutureBrand São Paulo e com apoio do Fundo Vale, analisou como os brasileiros enxergam a Amazônia e seu potencial econômico sustentável. Realizado entre junho e agosto deste ano, o levantamento intitulado “O que o Brasil pensa da Amazônia” investigou o grau de proximidade da população com a região, os estereótipos que ainda moldam esse imaginário e as barreiras para o consumo de produtos amazônicos.
O estudo será lançado oficialmente em 22 de setembro, durante a Climate Week, em Nova York, reforçando a importância do tema no debate climático global.
Distanciamento e visões idealizadas
A pesquisa mostra que 65% dos brasileiros admitem desconhecer a Amazônia, seja por nunca terem visitado a região ou por só acompanharem notícias quando o bioma ganha destaque na mídia. Apenas 35% reconhecem que a floresta abriga grandes cidades, evidenciando um imaginário coletivo ainda baseado em uma visão distante, mística e, muitas vezes, fatalista.
Apesar disso, a floresta desperta sentimentos positivos: 47% dos entrevistados sentem admiração, 39% orgulho e 27% fascínio. Ao mesmo tempo, preocupações ambientais moldam fortemente as percepções: 56% associam a Amazônia ao desmatamento ilegal e 55% ao conceito de “pulmão do mundo”. Para muitos, a floresta é símbolo de força, sabedoria ancestral e riqueza cultural, mas também um território marcado por ameaças.
Sustentabilidade e consumo: desejo e contradições
Embora 81% afirmem adotar práticas como economizar água e energia, apenas 15% consideram a sustentabilidade um interesse cotidiano real. O consumo sustentável também enfrenta barreiras: 60% dizem consumir produtos ecológicos com frequência, mas fatores como preço e conveniência ainda são decisivos.
Quando se trata de produtos amazônicos, 54% afirmam não encontrar esses itens onde vivem e 34% não sabem identificá-los, apesar do alto interesse — 42% gostariam de consumir mais produtos da bioeconomia amazônica, especialmente nas áreas de alimentação (84%) e cosméticos (80%). Selos e certificações são considerados essenciais para 84% dos entrevistados, que buscam garantias de origem e impacto positivo para comunidades locais.
Bioeconomia: conceito pouco conhecido, mas com potencial
Apenas 34% dos brasileiros conhecem o termo bioeconomia, e mesmo entre eles, o entendimento costuma ser superficial, limitado a associações com sustentabilidade ou geração de renda. Ainda assim, 82% acreditam ser possível desenvolver economicamente a Amazônia sem destruir a floresta e 83% veem o consumo de produtos amazônicos como forma de apoiar comunidades tradicionais.
Especialistas envolvidos no estudo defendem que essas percepções representam uma oportunidade estratégica. “Precisamos superar a visão de que conservação e produção são opostas. A bioeconomia amazônica pode unir preservação, renda e inovação”, destacou Paulo Reis, presidente da ASSOBIO.
Oportunidade para novas narrativas
Para a FutureBrand, os dados revelam uma ambivalência: orgulho e admiração convivem com desconhecimento e estereótipos. A diretora de comportamento do consumidor, Estela Brunhara, observa que transformar esse orgulho em escolhas de consumo que fortaleçam a floresta ainda é um desafio.
A gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, Marcia Soares, reforça: “É fundamental ampliar o entendimento sobre a Amazônia e consolidar a bioeconomia como modelo de desenvolvimento sustentável, conectando a conservação da floresta em pé a negócios inovadores e à valorização das comunidades locais”.
Metodologia e destaques numéricos
A pesquisa combinou métodos qualitativos, digitais e quantitativos: análise de postagens online, grupos de discussão em diferentes regiões e levantamento de dados. Entre os principais resultados estão:
- 65% desconhecem a Amazônia.
- 35% reconhecem grandes cidades na região.
- 34% afirmam conhecer o conceito de bioeconomia.
- 54% costumam escolher marcas com certificações ambientais.
- 60% dizem consumir produtos sustentáveis com frequência.
- 82% acreditam no desenvolvimento econômico sem desmatamento.
- 53% sentem culpa ao não escolher a opção mais saudável.
- 84% consideram certificações essenciais para garantir responsabilidade socioambiental.
Sobre as organizações envolvidas
A ASSOBIO reúne 130 associados de pequenos e médios negócios sociobioeconômicos na Amazônia, buscando conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. O Fundo Vale, com 16 anos de atuação, fomenta soluções para uma economia sustentável e inclusiva, com atenção especial à conservação dos biomas brasileiros. A FutureBrand São Paulo é especialista em estratégias de marca e comportamento do consumidor, e a Timelens forneceu apoio de dados para a pesquisa.
O lançamento do estudo durante a Climate Week evidencia a relevância da Amazônia como ativo ambiental e econômico estratégico para o Brasil e para o mundo.
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