Dia da Amazônia: com feira gastronômica, performances drag, shows e debates, programação ocupa diversas cidades do Pará
Com atividades em Belém, Ananindeua, Altamira e Marajó, a programação gratuita reúne coletivos e comunidades em defesa da floresta e dos povos da Amazônia.
Carimbó e performances drag. Lambe-lambe poético e festival gastronômico da cozinha periférica. Plantio de árvores, rodas de conversa sobre justiça climática, vivências culturais de juventudes e celebrações ribeirinhas no Marajó.
Essa mistura de vozes e linguagens marca o Dia da Amazônia (5 de setembro) e se estende até o fim do mês numa programação gratuita, construída por coletivos e comunidades da Amazônia Legal.
Com o mote “Celebrar a Amazônia e os biomas é soberania”, as atividades do Setembro Amazônico acontecem em Belém, Ananindeua, Altamira e Marajó, colocando no centro da cena comunidades periféricas, quilombolas, ribeirinhas, juventudes e artistas urbanos.
Programação feita a muitas mãos
A agenda não teve curadoria única. Foi resultado de um processo de escuta e articulação coletiva no ecossistema VOZES, que reúne organizações e movimentos da Amazônia Legal comprometidos com a defesa da floresta e de seus povos.
Cada grupo propôs atividades a partir de suas realidades e estratégias de território, compondo uma programação diversa, multilinguagem e enraizada.
“As atividades colocam no centro a defesa dos povos, da terra e da vida como fundamentos da soberania nacional. Celebrar os biomas é também denunciar as ameaças e apresentar soluções que nascem de saberes tradicionais e comunitários”, afirma Deuza Brabo Almeida, porta-voz do VOZES e cofundadora do Coletivo Reocupa (MA).
Para ela, o calendário ganha ainda mais relevância em 2025, ano em que Belém se prepara para sediar a COP30:
“A Amazônia não é apenas um território de debate global, mas um espaço vivo de resistência, cultura popular e invenção política cotidiana.”
Arte, rua e mobilização popular

As atividades ocupam praças, ruas, comunidades e centros culturais, aproximando o debate climático do cotidiano popular. Performances artísticas, oficinas, feiras e festividades se tornam instrumentos de mobilização.
“A arte sensibiliza, conecta e mobiliza. Estar nas ruas é afirmar o direito ao território e à cidadania. A ocupação cultural é também organização popular e construção de futuro”, destaca Deuza.
Segundo ela, reconhecer quem historicamente protege a floresta é um gesto político:
“Ao colocar comunidades periféricas e ribeirinhas como protagonistas, deslocamos o centro do debate e mostramos que soberania é cuidar da terra, da vida e das pessoas que garantem a continuidade da Amazônia.”
Quem promove
As ações são promovidas por diferentes organizações, como Seja Democracia, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Comissão Solidária Vila da Barca, Fórum Paraense de Juventudes, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Associação Cultural Na Cuia, Comitê de Comunicadores Populares das Baixadas de Belém, iniciativa Aldeias e Observatório do Marajó.
Confira a programação na íntegra

Belém – 5 de setembro
- Aula pública “COP30 na Quebrada” (Icoaraci, 8h30)
- Festival Gastronômico da Cozinha Periférica (Vila da Barca, 17h)
- Juventudes que Ecoam, com rodas de conversa e vivências culturais (Casa Aberta, 14h)
- Distribuição de mudas pelo MAB (UFPA, 8h às 12h)
Ananindeua – 5 de setembro
- Campanha #ClimaDeVerdade, com rodas de conversa e cartografia afetiva (Casa Cura, 9h às 17h)
Belém – 6 de setembro
- Oficinas e rodas de conversa sobre justiça climática, gênero, racismo ambiental e corpos amazônicos em movimento (Casa Aberta, a partir de 10h)
Altamira – 6 de setembro
- Geração Amazônia na Praça dos Sonhos: muralismo, vídeos educativos e teatro infantojuvenil (Santa Benedita, 16h30 às 20h)
Belém – 7 de setembro
- Colagem coletiva no Grito dos Excluídos com o Coletivo Lambe pela Democracia (a partir das 9h)
Marajó – 20 e 21 de setembro
- Festividade Poraquê em Salvaterra e Muaná, com comunidades ribeirinhas e quilombolas, oficinas, exibição de curtas e jogos