Boieira do Ver-o-Peso denuncia que período de reforma do mercado trouxe prejuízos aos feirantes: “Fui à falência”
Feirantes afirmam que enfrentaram prejuízos, dificuldades de acesso e calor intenso na nova área
A recente reforma do Mercado Ver-o-Peso, em Belém, trouxe desafios significativos para feirantes, principalmente as boeiras — mulheres responsáveis pela culinária tradicional do local. Entre elas, Dona Osvaldina, que há décadas trabalha no local, relatou ter enfrentado prejuízos tão grandes que chegou à falência durante o período de obras da área em que atua.
“Nós não vendíamos nada… até hoje eu não consegui pagar minha dívida toda.”
A realocação provisória das barracas dificultou as vendas e gerou desperdício de alimentos, afetando várias barracas:
“Não fui só eu não, muita gente ali foi à falência.”
Dificuldades de acesso e condições desfavoráveis
Além do impacto financeiro, Dona Osvaldina destacou problemas de acesso e condições desfavoráveis na nova área de trabalho, especialmente em relação ao calor intenso. Ela relatou também a dificuldade de obter respostas da Prefeitura e Secretaria Municipal de Urbanismo (SEURB):
“A prefeitura não dá nem confiança pra gente. Quem briga mais? Lá sou eu.”
A cozinheira explicou o esforço para se manter financeiramente mesmo diante das perdas:
“Eu tenho muito crédito, comecei a pegar e pagando, vendendo e pagando, assim que tô fazendo até hoje, porque o negócio não tá fácil, né?”
Recuperação e expectativas futuras
Com a entrega das novas barracas, as feirantes começaram a retomar as vendas, ainda que os dias de semana tenham movimento reduzido:
“Agora a gente tá trabalhando, é mais fim de semana, mas dá pra gente ir pagando as quantias da gente.”
Dona Osvaldina mantém expectativa de recuperação, especialmente com eventos futuros como a COP:
“Se Deus quiser pra gente ganhar um dinheiro, que negócio não tá fácil não.”
Relatos e reclamações de trabalhadores do Ver-o-Peso
No inicio do mês de agosto, permissionários do setor de ervas também reclamaram das obras no local. No caso das erveiras do Ver-o-Peso, a reclamação foi sobre as condições das barracas após a entrega da obra, que no caso deste setor, aconteceu no dia 17 de julho.
Na época, nossa equipe conversou com Maria Loura, representante do setor de ervas medicinais e secretária-geral da associação, que relatou que, após a reforma, os feirantes parte das barracas ficaram expostas ao sol e à chuva, prejudicando trabalhadores e mercadorias, que já sofreram danos desde as primeiras chuvas após a entrega do espaço.
Em nota, a secretaria informou: “O toldo do setor de ervas será colocado em setembro, juntamente com o prolongamento do mesmo, para evitar os danos causados pelas pancadas de chuva. Em relação ao projeto da obra, ele foi submetido ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – e segue o que foi determinado pelo Instituto, levando em consideração, também, a quantidade de permissionários do local.”
Veja o vídeo:
O que diz a Prefeitura de Belém?
A equipe do BT Amazônia conversou com a Prefeitura de Belém e com a Secretaria Municipal de Urbanismo (SEURB) sobre o caso. Confira a nota na íntegra:
A prefeitura de Belém afirma que: “Em relação ao ordenamento dos trabalhadores durante as obras que se encontram em fase final no Complexo Ver-o-Peso (mais de 90%), a Sedcon atua em constante diálogo com os permissionários. Todo o planejamento de remanejamento dos feirantes para locais provisórios durante a reforma foi e continua sendo programado com a concordância dos comerciantes. A Sedcon se coloca à disposição diariamente dos permissionários para ouvir queixas e ideias durante rondas realizadas por todos os setores do Ver-o-Peso.
Já a Secretaria de Obras e Infraestrutura (Seinfra), responsável pelas obras do Complexo, destaca que em toda reforma dessa magnitude, ajustes e adequações são necessários durante o processo. O clima equatorial de Belém, marcado pelo calor intenso e pelas chuvas com ventos fortes, foi considerado no planejamento da Seinfra. Para amenizar o impacto, novas coberturas foram projetadas dentro das normas e autorizadas pelo Iphan, já que toda a área do Complexo Ver-o-Peso foi tombada como patrimônio histórico desde 1977. As coberturas estão recebendo prolongamentos adicionais, atualmente em implantação, para ampliar a proteção térmica e garantir maior conforto aos trabalhadores e frequentadores.
A Prefeitura, por meio da Seinfra e Sedcon, reafirma o compromisso em entregar e ordenar um espaço mais seguro, moderno e digno para os permissionários e para a população, consolidando o Ver-o-Peso como símbolo de identidade cultural, turística e econômica de Belém.”
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