‘Do jeito que tá não dá’: Países cobram soluções para logística e hospedagem na COP30
Preocupações com hospedagem dominam as discussões na Conferência de Bonn antes da COP30 em Belém
A logística de hospedagem para a COP30, que acontece em novembro deste ano em Belém, virou o centro das atenções e críticas durante a 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), realizada em Bonn, na Alemanha. Representantes de diversos países expressaram preocupação com os altos preços das acomodações e com a falta de infraestrutura adequada para receber as mais de 190 delegações esperadas no evento global sobre o clima.
Reclamações sobre preços abusivos de hospedagens
A grande queixa internacional se refere ao custo atual das hospedagens oferecidas na capital paraense, que chega a ultrapassar US$ 2.500 por diária em alguns casos, um valor considerado inviável principalmente para representantes de países em desenvolvimento. Segundo Valter Correia, secretário extraordinário para a COP30, o governo federal está empenhado em garantir diárias de até US$ 100 (aproximadamente R$ 548,71) — valor semelhante ao praticado em Belém durante o Círio de Nazaré, a maior festividade da cidade.
A plataforma oficial de hospedagem, que deveria ter sido lançada anteriormente, deve entrar no ar até o fim de junho, com uma oferta inicial de 2.500 imóveis. No total, o governo estima disponibilizar cerca de 30 mil quartos e mais de 55 mil leitos, entre hotéis, casas de aluguel de curta duração, navios de cruzeiro e escolas públicas adaptadas para receber visitantes.
Risco de esvaziamento da COP30 preocupa autoridades
Diante da indefinição e dos preços abusivos já observados no mercado local, delegações como a das Filipinas afirmaram que podem desistir de enviar representantes ao Brasil, caso os custos não sejam ajustados. Países da União Europeia, Coreia do Sul e China também expressaram dúvidas quanto às condições de cancelamento de reservas, segurança sanitária e alimentar, além de alertarem para doenças tropicais como dengue e chikungunya.
Em resposta, o governo brasileiro afirmou que não cogita intervenção direta no mercado hoteleiro, mas investiga os preços praticados por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça. Segundo Valter Correia, caso seja confirmado abuso por parte dos prestadores de serviços, poderão ser aplicadas multas e sanções legais — ainda que após o evento.
Com informações de Claudio Angelo, do UOL, direto da Conferência de Bonn.
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