COP30: Governo promete diárias de até R$ 548 em Belém para conter alta de preços de hospedagem
Déficit de leitos e custos abusivos preocupam organizadores e participantes da conferência climática
Em coletiva realizada na Conferência de Bonn, na Alemanha, o secretário extraordinário para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) da Casa Civil, Valter Correia, afirmou que o governo trabalha para garantir darias por até US$ 100 — o equivalente a cerca de R$ 548,71 para quem busca hospedagens em Belém durante o período do evento.
Desde o início das preparações para a COP30, um dos maiores desafios logísticos enfrentados é justamente a questão hoteleira.
Preocupação com preços abusivos e déficit de leitos
O governo brasileiro reconheceu que há sim risco de preços abusivos por parte do setor hoteleiro na capital paraense. Segundo Correia, não há intenção de intervir diretamente no mercado — como, por exemplo, requisitar leitos ou impor tabelamento — mas a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) já foi acionada para monitorar os valores praticados. O levantamento inclui os preços dos últimos cinco anos, os aplicados durante o Círio de Nazaré e os atuais valores destinados à COP.
A expectativa do governo federal é garantir preços compatíveis com os períodos de maior movimentação na cidade, como o Círio, considerado o maior evento de Belém. A possibilidade de punição aos estabelecimentos abusivos não foi descartada, mas sanções como multas ou fechamento de hotéis só seriam aplicadas após o evento.
Alternativas para ampliar a oferta de hospedagem
Com a previsão de receber cerca de 50 mil visitantes durante a conferência, o déficit de leitos em Belém é uma preocupação concreta. A capital paraense e sua região metropolitana contam hoje com aproximadamente 24 mil leitos disponíveis, número insuficiente para atender toda a demanda da COP30.
Para suprir a necessidade de acomodações, o governo do estado prepara a reforma de 17 escolas públicas, que funcionarão como hostels temporários, com capacidade para cerca de 5 mil pessoas. Além disso, navios de cruzeiro devem ser usados como hotéis flutuantes. O governo do Pará chegou a cobrar do governo federal a entrega de quatro navios, que oferecerão aproximadamente 4.700 leitos.
A plataforma oficial de hospedagem será a Bnetwork, empresa contratada pelo governo brasileiro para centralizar as reservas. A empresa já atuou em edições anteriores da COP, como em Dubai e Baku. Contudo, o sistema online ainda não foi lançado, e a previsão é que a plataforma entre no ar até o fim deste mês de junho, inicialmente com 2,5 mil quartos disponíveis.
Críticas e cobranças
A pressão por soluções práticas não parte apenas do governo federal. O governador do Pará, Helder Barbalho, também manifestou preocupação com os preços elevados praticados por hotéis locais e reforçou a necessidade dos navios-hotel para minimizar o impacto do déficit de hospedagem.
Apesar destas informações, Valter Correia garantiu que o Brasil está empenhado em oferecer a infraestrutura necessária para receber todas as delegações e participantes do evento climático mais importante do mundo. Segundo ele, a “Vila Líderes”, estrutura administrada pelo governo federal com 405 quartos, também integrará as opções de acomodação.
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