Amazônia no Ar, em parceria com coletivo Pororoka, anuncia petição contra instalação de Data Center na Amazônia
Elea Data Center é responsável pelo empreendimento Bel 1, que seria o primeiro Data Center de IA da Amazônia
O Amazônia no Ar e o coletivo A Pororoka lançaram uma petição para tentar impedir a instalação de um data center de inteligência artificial em Belém, no Pará. O empreendimento, denominado BEL1, é da empresa Elea Data Centers e vem sendo anunciado como o primeiro data center da Amazônia. Com 24 horas no ar, a campanha já acumula mais de 2600 assinaturas. A petição também contem o “pressione”, mecanismo que envia as assinaturas diretamente para email de autoridades como vereadores, deputados, gestores do executivo e Ministério Público.
O projeto poderá alcançar 100 megawatts (MW) de capacidade e operar 24 horas por dia nas proximidades da Subestação Miramar. A iniciativa questiona a falta de informações públicas sobre o licenciamento e sobre os possíveis efeitos do empreendimento no consumo de energia e água, na geração de calor, nos níveis de ruído, na infraestrutura urbana e em uma eventual expansão.
Até o momento, não foram apresentados de forma clara estudos de impacto ambiental nem informações detalhadas sobre as autorizações concedidas para a instalação. Nem governo do Pará e nem Prefeitura de Belém confirmaram a concessão de autorização para o empreendimento.

Inquérito no Ministério Público
Em julho, o promotor de Justiça Márcio Maués, do Ministério Público do Estado, abriu um inquérito para apurar o caso e solicitar esclarecimentos. De acordo com a campanha, o procedimento considera possíveis impactos socioambientais associados à operação de data centers, como o aumento das ilhas de calor, a emissão de ruído intermitente e o elevado consumo de água e energia.
O Amazônia no Ar entrou em contato com a Axia, antiga Eletrobras, que é a fornecedora de energia do BEL1. Eles confirmaram o fornecimento de energia para o empreendimento, porém não confirmam a quantidade de energia que será usada. As duas maiores concessionárias de energia do portfólio da empresa são as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí, ambas no Pará, que já comprometem o fluxo hídrico de dois rios da Amazônia.
Campanha cobra estudos e participação popular

Para os organizadores, uma obra dessa escala não deve avançar sem transparência e participação da população. A campanha também convida a população a assinar e compartilhar o documento de mobilização. Rodrigo Leitão, representante do coletivo A Pororoka, afirma que o projeto envolve riscos que precisam ser avaliados antes de qualquer decisão. “No meio de tantas incertezas sobre o BEL1, temos inúmeras certezas: estamos diante de um empreendimento de grande impacto socioambiental. Podemos comprovar esses impactos com o histórico dos data centers no mundo, e a população de Belém não quer esse data center”, declarou.
Leitão também criticou a distribuição dos possíveis benefícios e prejuízos do empreendimento. “Não há benefício algum para a sociedade; quem lucra é a empresa, e os danos ficam com o povo. Não queremos data centers na Amazônia”, afirmou.

Para João Paulo Guimarães, jornalista e integrante da frente de mobilização, a articulação entre organizações da sociedade civil e jornalismo independente busca suprir uma lacuna que, segundo ele, deveria ser enfrentada pelo poder público e pelas empresas responsáveis pelo projeto. “Essa petição é uma aula de democracia e uma ferramenta para todos que estão sentindo as mudanças climáticas baterem à porta, com o calor e o aumento da conta de luz”, disse. Guimarães ainda classificou os locais destinados a empreendimentos desse tipo como “zonas de sacrifício” e afirmou que a instalação de grandes estruturas pode alterar modos de vida e rotinas das comunidades.

A jornalista Mary Tupiassu, diretora do Amazônia no Ar, disse que a petição surgiu após pedidos de mobilização feitos por leitores e seguidores. Segundo ela, a frente pretende proteger os rios e as populações da região diante dos impactos atribuídos a grandes projetos na Amazônia. “Não vamos mais aceitar que a vida da Amazônia seja ameaçada. O clima do planeta precisa da Amazônia viva”, afirmou.
A campanha defende que a decisão sobre o BEL1 só seja tomada depois da divulgação dos estudos, da prestação de informações pelos responsáveis e da participação das comunidades afetadas. Para assinar a petição basta acessar o link da capanha “Amazônia sem Data Center”