Na Cúpula dos Povos, Tribunal das Mulheres denuncia crimes ambientais e levará casos à Corte Interamericana
Nesta quinta-feira, 13 de novembro, o Tribunal das Mulheres, uma das programações do segundo dia da Cúpula dos Povos em Belém, reuniu vozes femininas de diversos territórios do Brasil e de outros países, como Chile, Venezuela, Argentina, para expor as múltiplas violências geradas pela crise climática e pelos projetos econômicos que avançam sobre comunidades tradicionais. […]
Nesta quinta-feira, 13 de novembro, o Tribunal das Mulheres, uma das programações do segundo dia da Cúpula dos Povos em Belém, reuniu vozes femininas de diversos territórios do Brasil e de outros países, como Chile, Venezuela, Argentina, para expor as múltiplas violências geradas pela crise climática e pelos projetos econômicos que avançam sobre comunidades tradicionais. Em um espaço marcado pelo protagonismo feminino, mulheres indígenas, quilombolas, ribeirinhas, urbanas denunciaram crimes ambientais que colocam em risco suas vidas, seus corpos e seus territórios.
Ao longo da plenária, diversos relatos mostraram como desmatamento, mineração, contaminação de rios, expansão do agronegócio e obras de infraestrutura impactam diretamente a segurança, a saúde e a autonomia das mulheres. Para muitas delas, a destruição ambiental está ligada também ao aumento de conflitos, violência doméstica, exploração sexual e perda de meios de subsistência.
Diante da gravidade dos casos reunidos, o Tribunal das Mulheres decidiu encaminhar uma denúncia formal à Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Tribunal destacou que “não há justiça climática sem justiça de gênero”. O documento reunirá violações cometidas contra mulheres em diferentes regiões do mundo, com o objetivo de responsabilizar Estados e empresas, sobretudo mineradoras pelos danos ambientais e sociais provocados em seus territórios.