Novo botox: Toxina de cascavel amazônica é base de patente brasileira para tratamento antirrugas
Uma inovação científica nascida no Amapá promete transformar o mercado da estética mundial. O Prof. Dr. José Carlos Tavares, através da startup Amazon Cure, obteve a aprovação do mérito da patente de um produto tópico que utiliza o veneno purificado da cascavel (Crotalus durissus) para o desaparecimento de rugas. O diferencial da descoberta está na […]
Uma inovação científica nascida no Amapá promete transformar o mercado da estética mundial. O Prof. Dr. José Carlos Tavares, através da startup Amazon Cure, obteve a aprovação do mérito da patente de um produto tópico que utiliza o veneno purificado da cascavel (Crotalus durissus) para o desaparecimento de rugas. O diferencial da descoberta está na aplicação: ao contrário da toxina botulínica tradicional, o novo tratamento é feito diretamente sobre a pele, sem a necessidade de injeções.
A ideia surgiu a partir de estudos sobre o veneno de uma serpente chinesa. “A partir daí eu retomei o meu trabalho, meus conhecimentos, e disse: caramba, nós temos várias espécies de cobras no Brasil que provocam miotoxidade. O que é miotoxidade? Atua na musculatura estriada esquelética. Exatamente uma delas é a Crotalus, a cascavel“, explica o professor. Com vasta experiência em processos inflamatórios e produtos naturais, Tavares focou na aplicação cosmecêutica para chegar ao resultado atual.
Tecnologia de purificação e aplicação tópica
O sucesso da patente reside no processo de isolamento das proteínas da serpente. “Logicamente isso daí tem que ser purificado. Tem todas as técnicas que gerou essa patente de purificação, associado com outros princípios ativos, leva a esse relaxamento permanente e é tópico“, revela o pesquisador.
Segundo o Dr. Tavares, a potência do produto resolve uma barreira comum nos consultórios: o medo das agulhas. “Este é um grande feito porque muitos não se submetem à aplicação da toxina botulínica porque é através de injeção no músculo. Nós desenvolvemos um produto tópico com este veneno purificado que leva ao relaxamento da musculatura devido a ser uma fração proteica extremamente potente e altamente segura“.
O diferencial da Amazônia
Um dos pontos centrais da pesquisa é a procedência da matéria-prima. Embora a cascavel ocorra em todo o Brasil, o pesquisador garante que a versão amazônica possui uma qualidade superior para fins estéticos. “O veneno da serpente de cascavel que ocorre muito no Sudeste é totalmente diferente do veneno de Crotalus que ocorre na região amazônica. A qualidade da toxina depende do lugar onde ela vive, porque ela vai se alimentar de outros elementos que vão modificar totalmente a qualidade deste veneno“, afirma.
De acordo com o professor, os testes comparativos mostram uma vantagem clara para o ecossistema local: “Eu te garanto que a qualidade comparativamente do Crotalus que ocorre na região amazônica é muito mais potente do que o veneno de ocorrência na região Sudeste e outras regiões do Brasil. Por isso o efeito é muito duradouro“.
Próximos passos
O pedido de patente já teve o seu mérito aprovado, culminando na publicação oficial na revista de propriedade intelectual. “Isso daí realmente me deixou muito satisfeito, muito feliz, porque é um grande feito“, comemora o Dr. José Carlos Tavares. A descoberta agora coloca a bioeconomia do Amapá no centro das atenções da indústria cosmética de luxo e de alta tecnologia.