Conferência na Colômbia debate taxação de lucros petrolíferos para financiar transição energética
O cenário global de instabilidade no Oriente Médio, marcado pelo conflito entre Irã, Israel e EUA, trouxe para o centro da primeira Conferência sobre a Transição dos Combustíveis Fósseis um debate econômico urgente: a taxação de lucros astronômicos da indústria de energia. Representantes de cerca de 50 países reúnem-se nesta terça e quarta-feira para discutir […]
O cenário global de instabilidade no Oriente Médio, marcado pelo conflito entre Irã, Israel e EUA, trouxe para o centro da primeira Conferência sobre a Transição dos Combustíveis Fósseis um debate econômico urgente: a taxação de lucros astronômicos da indústria de energia. Representantes de cerca de 50 países reúnem-se nesta terça e quarta-feira para discutir como converter esses ganhos em financiamento para a transição energética global.
Estimativas do Greenpeace e da Global Witness apontam que, apenas em março de 2026, as 100 maiores empresas de petróleo e gás lucraram cerca de US$ 30 milhões por hora. Em resposta, ministros de países europeus e especialistas da sociedade civil, como Mariana Paoli da Oxfam, defendem que a tributação dessas margens é o caminho mais viável para manter o aquecimento global sob controle.
Além de impostos, a pauta em Santa Marta inclui a reforma do sistema financeiro, visando a redução da dívida externa de países vulneráveis e o fim de mecanismos que permitem a multinacionais processarem Estados que cancelam projetos de extração.
Financiamento e soberania
Para o economista Leonardo Rojas, do think tank POLEN Just Transitions, o debate em Santa Marta é crucial para economias como a colombiana, ainda dependentes do carvão e petróleo. Entre as propostas discutidas estão a criação de fundos soberanos e sobretaxas acionadas pela alta dos preços nos postos. A estratégia é criar uma “aliança de vanguarda” entre governos para romper o tabu que envolve a menção direta aos combustíveis fósseis em cúpulas tradicionais da ONU.
O evento, coorganizado por Colômbia e Países Baixos, busca não apenas soluções técnicas, mas uma coalizão política de países que pressione o restante do globo. “Queremos criar um grupo de nações que lidere o abandono do fóssil”, afirma Javier Andaluz, da Aliança Climática. O encontro encerra com o foco em garantir que os “grandes poluidores” paguem a conta da crise climática, protegendo os cidadãos de aumentos diretos nas tarifas.
*Matéria realizada com informações do portal Instituto Humanistas Unisinos.