O que está acontecendo na Amazônia? 22 de abril de 2026

Oceano Pacífico atinge aquecimento crítico e aponta para retorno do El Niño ainda no primeiro semestre

O Oceano Pacífico equatorial emitiu, nesta última segunda-feira (20), o sinal mais contundente de que o fenômeno El Niño está em processo de formação. Pela primeira vez em 2026, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, considerada o “termômetro oficial” do clima global, atingiu a anomalia de +0,5°C. O índice representa o […]

O Oceano Pacífico equatorial emitiu, nesta última segunda-feira (20), o sinal mais contundente de que o fenômeno El Niño está em processo de formação. Pela primeira vez em 2026, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, considerada o “termômetro oficial” do clima global, atingiu a anomalia de +0,5°C. O índice representa o limiar mínimo para a caracterização do fenômeno, que não atingia este patamar desde maio de 2024, época marcada por eventos climáticos extremos no Brasil.

Embora o dado técnico tenha sido atingido, a comunidade científica mantém a cautela antes de declarar o fenômeno oficialmente. Para que o El Niño seja confirmado, essa temperatura precisa se manter estável por várias semanas, acompanhada de uma alteração na circulação dos ventos (a chamada Circulação de Walker). No entanto, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos já emitiu um alerta formal, estimando em 61% a probabilidade de o fenômeno estar plenamente configurado entre maio e junho deste ano.

Rigor científico contra o aquecimento global

Uma novidade no monitoramento de 2026 é o uso de critérios mais rígidos pela NOAA (agência climática americana). Agora, os cientistas utilizam um método que desconta o aquecimento generalizado dos oceanos provocado pela crise climática. O objetivo é separar o que é o ciclo natural do El Niño do “novo normal” de mares mais quentes. Por esse cálculo mais rigoroso, o Pacífico ainda é considerado tecnicamente neutro, mas a tendência de subida das águas profundas e quentes indica que a consolidação é questão de tempo.

Impactos no Brasil: Chuva no sul, seca no norte

A chegada do El Niño redesenha o mapa do clima no Brasil. Historicamente, o fenômeno altera o fluxo de umidade, provocando efeitos distintos em cada região:

  • Norte e Nordeste: A expectativa é de redução no volume de chuvas e aumento do risco de secas prolongadas, o que acende o alerta para o nível dos rios na Amazônia.
  • Sul: O fenômeno costuma intensificar frentes frias, resultando em chuvas acima da média e maior risco de enchentes.
  • Sudeste e Centro-Oeste: O padrão de precipitação torna-se irregular, com alta probabilidade de ondas de calor frequentes.

A intensidade do evento ainda é incerta, mas as projeções para o segundo semestre de 2026 apontam para um cenário que varia de moderado a “muito forte”. Com os oceanos globais já em níveis recordes de temperatura, meteorologistas alertam que mesmo um El Niño de menor intensidade pode ter impactos desproporcionais, exigindo preparação imediata dos setores agrícola e de defesa civil.

*Matéria realizada com informações do portal g1.

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