Relatório da Apib revela lobby de US$ 493 bilhões para minerar em terras indígenas e criar ‘zonas de sacrifício’ na Amazônia
Relatório da Apib revela que fluxo de R$ 2,5 trilhões de grandes bancos globais financia o cerco a territórios tradicionais sob pretexto de “transição energética”. Um relatório contundente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), lançado durante o Acampamento Terra Livre (ATL), expõe a engrenagem financeira que ameaça a soberania dos territórios tradicionais. O […]
Relatório da Apib revela que fluxo de R$ 2,5 trilhões de grandes bancos globais financia o cerco a territórios tradicionais sob pretexto de “transição energética”.
Um relatório contundente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), lançado durante o Acampamento Terra Livre (ATL), expõe a engrenagem financeira que ameaça a soberania dos territórios tradicionais. O documento denuncia que, entre 2016 e 2024, um montante de US$ 493 bilhões (aproximadamente R$ 2,5 trilhões) foi injetado por grandes bancos e fundos de investimento em mineradoras que buscam expandir suas atividades para dentro de terras indígenas no Brasil.
A denúncia aponta que a corrida global por minerais estratégicos, como o cobre e o lítio, essenciais para tecnologias de baixo carbono, está sendo utilizada para justificar a flexibilização de normas ambientais e o avanço sobre áreas protegidas. Para a Apib, esse processo corre o risco de converter a Amazônia em uma “zona de sacrifício”, onde o equilíbrio ambiental e a vida das comunidades são oferecidos em troca de lucros corporativos.
Engrenagem política e financeira
O fluxo bilionário de bancos como BlackRock e Vanguard sustenta a atuação de gigantes como Vale, BHP e Glencore. Segundo a Apib, essas corporações operam uma pressão coordenada sobre o Estado brasileiro:
- Poder Legislativo: Através de frentes parlamentares ligadas ao agronegócio e à mineração, que pautam projetos para restringir direitos territoriais e afrouxar o licenciamento ambiental.
- Poder Judiciário: Com investidas no Supremo Tribunal Federal (STF) para rediscutir a interpretação constitucional de direitos originários.
- Poder Executivo: Por meio da interlocução direta de entidades como o Ibram, que buscam consolidar a mineração como prioridade estratégica dentro do governo.
Amazônia: o alvo central
A pressão é mais severa na região amazônica, onde o relatório identifica mais de 1,3 mil requerimentos minerários incidindo sobre terras indígenas. Desse total, 390 casos apresentam sobreposição total aos territórios, evidenciando o cerco às áreas de maior biodiversidade do país.
A publicação do relatório ocorre em um momento de transição política, com a posse de Eloy Terena no Ministério dos Povos Indígenas, e sob a expectativa da demarcação de 110 terras indígenas que já concluíram as etapas técnicas, mas aguardam decisão final do governo.
Demarcação contra a crise climática
Em contrapartida à narrativa industrial, a Apib sustenta que a proteção das terras indígenas é a política climática mais eficaz. O documento enfatiza que a transição energética não pode servir de fachada para a destruição de biomas.
“Não há saída possível para a emergência climática que passe pela destruição de nossas terras”, afirma o relatório. A entidade defende que a demarcação é o verdadeiro caminho para conter o aquecimento global, rejeitando a ideia de que os territórios ancestrais devam ser sacrificados em nome de uma “economia verde” excludente.
*Matéria realizada com informações do portal Brasil de Fato.