O que está acontecendo na Amazônia? 8 de abril de 2026

Pajé marajoara e ambientalista, Zeneida Lima será homenageada pela Beija-Flor no Carnaval 2027

Nascida em Soure, no arquipélago do Marajó, a pajé, compositora e ativista Zeneida Lima, de 91 anos, foi anunciada como homenageada da Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval do Rio de Janeiro de 2027. A trajetória da líder cultural será tema do enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”. Reconhecida como a última pajé marajoara, […]

Nascida em Soure, no arquipélago do Marajó, a pajé, compositora e ativista Zeneida Lima, de 91 anos, foi anunciada como homenageada da Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval do Rio de Janeiro de 2027. A trajetória da líder cultural será tema do enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”.

Reconhecida como a última pajé marajoara, Zeneida também é fundadora da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia, que atende cerca de 200 crianças e adolescentes com atividades voltadas à educação, música, dança e preservação ambiental.

A história da paraense ganhou projeção nacional com o livro O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó, que inspirou o desfile campeão da Beija-Flor em 1998, intitulado “O mundo místico dos caruanas nas águas do Patu-Anu”. Desde então, Zeneida mantém uma relação próxima com a escola e relembra ter contribuído diretamente para a vitória daquele ano.

Segundo a pajé, sua iniciação espiritual ocorreu ainda na infância, após um episódio em que teria sido levada por “seres encantados”, permanecendo desaparecida por mais de 10 dias. A partir daí, passou a atuar como curadora e líder espiritual desde muito jovem.

Ao longo da vida, Zeneida também se destacou na área educacional e cultural. Em 2021, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará, em reconhecimento às contribuições para os saberes amazônicos. Sua trajetória também foi retratada no filme Encantados.

Na instituição que fundou, a líder marajoara trabalha a conscientização ambiental entre crianças e jovens, defendendo a preservação da natureza e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Quase três décadas após o título histórico, a Beija-Flor retoma a conexão com o Marajó ao levar para a Marquês de Sapucaí a história de vida de Zeneida Lima, em um enredo que promete destacar a espiritualidade e a cultura amazônica.

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