O que está acontecendo na Amazônia? 8 de abril de 2026

Ranking dos melhores pratos do mundo deixa a Amazônia de fora: por que os sabores da nossa floresta não foram lembrados?

O ranking Taste Atlas 2025/2026 saiu e trouxe a picanha (15º), a costela (35º) e a moqueca (98º) entre os melhores pratos do globo. Mas, como amazônida, o sentimento é de inquietação: como a maior biodiversidade do planeta ficou de fora dessa lista? Temos sabores que não existem em nenhum outro lugar, ingredientes que são […]

O ranking Taste Atlas 2025/2026 saiu e trouxe a picanha (15º), a costela (35º) e a moqueca (98º) entre os melhores pratos do globo. Mas, como amazônida, o sentimento é de inquietação: como a maior biodiversidade do planeta ficou de fora dessa lista?


Temos sabores que não existem em nenhum outro lugar, ingredientes que são verdadeiros tesouros e uma herança técnica que atravessa gerações. Seja pela complexidade do tucupi ou pela delicadeza dos nossos peixes, a Amazônia merece — e deveria — estar no topo. O que falta para o mundo finalmente reconhecer a potência do nosso prato?

Por que a Amazônia ficou de fora?

Aqui vão alguns pontos para a gente debater:

1 – Logística e Ingredientes: Para um prato ser “ranqueado” mundialmente, ele precisa ser experimentado. Infelizmente, muitos ingredientes amazônicos (jambu, tucupi, frutos como o bacuri) são difíceis de exportar ou de encontrar em restaurantes brasileiros na Europa ou nos EUA. A picanha, por outro lado, você encontra em qualquer esquina do mundo.

2 – O “Turismo Gastronômico” : O Taste Atlas baseia-se muito em avaliações de usuários e críticos que viajam. O fluxo turístico internacional no Brasil ainda é muito concentrado no Rio, São Paulo e Nordeste. O Norte é o nosso segredo mais bem guardado, mas isso acaba refletindo na falta de “votos”.

3 – Complexidade de Paladar: A comida amazônica é intensa e possui sabores muito singulares (como o tremor do jambu ou a acidez do tucupi). Para o paladar internacional médio, acostumado com o binômio “carne e tempero básico”, a nossa complexidade pode levar mais tempo para ser totalmente compreendida e celebrada em massa.

4- Marketing e Visibilidade: A moqueca e o churrasco são “marcas” brasileiras consolidadas no exterior há décadas. A gastronomia amazônica está começando a ganhar esse holofote agora, graças a chefs renomados, mas ainda há um caminho de divulgação para percorrer.

Para você, qual prato amazônico é o “campeão injustiçado” que deveria estar obrigatoriamente no Top 10 desse ranking?

*Coluna realizada por Joanna Martins.


Joanna Martins é uma mulher amazônida empreendedora que está por trás de importantes iniciativas: o Instituto Paulo Martins, que entre outros projetos é responsável pelo Tekoá Gastronomia Social, a empresa Manioca e a rede “Uma concertação pela Amazônia”, onde atua como secretária executiva com mais de 1.600 membros. Diferentes frentes de trabalho que convergem e fazem de Joanna uma autoridade em cultura alimentar e Inovação em bioeconomia alimentar amazônica. Através do seu trabalho, que tem como cenário e inspiração a maior floresta tropical do mundo, ela acredita e luta para que a grande transformação da região amazônica seja feita através dos alimentos.

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