Povo Apurinã lança cartilha de medicina tradicional para preservar saberes ancestrais no Amazonas
No coração da Terra Indígena Acimã, em Lábrea (AM), a aldeia Morada Nova tornou-se o epicentro de um resgate histórico no último dia 19 de março. O coletivo Sytuwakuru, termo que, na língua Apurinã, significa “mulheres fortes”, celebrou o lançamento da cartilha Sytuwakuru: Mulheres que Curam. O material é uma compilação inédita de saberes ancestrais […]
No coração da Terra Indígena Acimã, em Lábrea (AM), a aldeia Morada Nova tornou-se o epicentro de um resgate histórico no último dia 19 de março. O coletivo Sytuwakuru, termo que, na língua Apurinã, significa “mulheres fortes”, celebrou o lançamento da cartilha Sytuwakuru: Mulheres que Curam.
O material é uma compilação inédita de saberes ancestrais sobre o uso de plantas medicinais e ritos de cura, resultado de um esforço coletivo iniciado em 2016 por mais de 100 mulheres de seis territórios que compõem o polo-base Tumiã.
A publicação não possui fins comerciais e funciona como um “registro vivo” para assegurar que o conhecimento das anciãs não se perca com o tempo. Entre as fórmulas registradas, estão lambedores feitos com mel de abelha e banha de cobra, além de infusões de cascas e folhas da floresta para o tratamento de diversas enfermidades. Para as lideranças do coletivo, a cartilha transcende a informação técnica: ela é um instrumento de autonomia e afirmação política, garantindo que as novas gerações tenham em mãos a farmacopeia de seus antepassados.

A construção do material enfrentou desafios logísticos e geográficos severos, dada a distância entre as aldeias e a complexidade de sistematizar tradições orais. Com o apoio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Norte 1 na organização editorial, as mulheres mantiveram o protagonismo total sobre o conteúdo. Durante o evento, anciãs e jovens reforçaram que a obra é um símbolo de resistência cultural, provando que a “floresta em pé” é, acima de tudo, uma fonte de saúde e espiritualidade para o povo Apurinã.
*Com informações do Portal do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).