Falta de plano climático coloca estados da Amazônia em alerta
Estados da Amazônia seguem sem planos estruturados para enfrentar as mudanças climáticas, mesmo diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. Levantamento da 2ª edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, produzido pelo Instituto Clima e Sociedade e pelo Centro Brasil no Clima, mostra que apenas quatro estados brasileiros, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí, […]
Estados da Amazônia seguem sem planos estruturados para enfrentar as mudanças climáticas, mesmo diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. Levantamento da 2ª edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, produzido pelo Instituto Clima e Sociedade e pelo Centro Brasil no Clima, mostra que apenas quatro estados brasileiros, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí, possuem Planos de Ação Climática (Plac) considerados robustos, com metas claras de mitigação e adaptação.
O Plac reúne estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa e preparar os territórios para os impactos do clima, com metas e prazos definidos. No entanto, segundo o relatório, os estados que mais precisam desse planejamento, como os da Amazônia, são justamente os que enfrentam maiores limitações institucionais e orçamentárias para implementá-lo.
O cenário preocupa ainda mais diante do aumento de desastres climáticos no país. Em 2024, o Brasil registrou 4.699 ocorrências, entre secas, chuvas intensas e incêndios, que causaram prejuízos estimados em R$ 38 bilhões. A ausência de planejamento estruturado amplia a vulnerabilidade, especialmente em regiões como a Amazônia, que já enfrentaram secas históricas recentes e episódios prolongados de queimadas.
Apesar de alguns estados terem anunciado a elaboração de planos após a COP 30, a maioria das iniciativas ainda está em fase inicial ou fragmentada. Em muitos casos, as ações se limitam ao fortalecimento da Defesa Civil, com pouca ênfase em políticas preventivas, como planejamento urbano, proteção ambiental e adaptação territorial.
A dificuldade de financiamento é outro entrave. Sem orçamento próprio para políticas climáticas, estados da Amazônia e do Nordeste têm recorrido à formação de consórcios para acessar recursos de bancos multilaterais, o que evidencia a dependência de apoio externo para avançar na agenda.
Nas capitais, o cenário não é diferente. De acordo com a pesquisadora Jarlene Gomes, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, 15 das 27 capitais brasileiras não possuem planos de adaptação e mitigação climática. “O que existem são ações emergenciais em resposta a desastres, mas faltam medidas preventivas capazes de reduzir riscos futuros”, afirma.
Na Amazônia Legal, a situação é ainda mais crítica: das nove capitais, apenas Rio Branco possui um plano de adaptação climática estruturado. A ausência de políticas preventivas ocorre em um momento em que a região enfrenta eventos extremos cada vez mais intensos, como secas severas, queimadas de grandes proporções e longos períodos de poluição do ar.
Especialistas alertam que, sem planejamento, os impactos tendem a se agravar. Medidas como preservação da vegetação nativa, criação de corredores verdes e proteção de áreas ambientais são apontadas como essenciais para reduzir riscos e aumentar a resiliência das cidades. Sem essas ações, estados amazônicos seguem mais expostos aos efeitos de um clima cada vez mais imprevisível.