O que está acontecendo na Amazônia? 27 de março de 2026

Estudo da revista Nature aponta Brasil como líder mundial em desmatamento impulsionado pela agropecuária

Um estudo internacional publicado na última terça-feira (24) pela prestigiada revista Nature revela que o Brasil é o país que mais desmata no mundo para dar lugar à agropecuária. De acordo com a pesquisa, o país foi responsável por 32% de todo o desmatamento global associado ao setor entre 2001 e 2022. O índice coloca […]

Um estudo internacional publicado na última terça-feira (24) pela prestigiada revista Nature revela que o Brasil é o país que mais desmata no mundo para dar lugar à agropecuária. De acordo com a pesquisa, o país foi responsável por 32% de todo o desmatamento global associado ao setor entre 2001 e 2022. O índice coloca o Brasil isolado na liderança, seguido por Indonésia (9%), China (6%) e República Democrática do Congo (6%).

O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, analisou o impacto de 184 commodities agrícolas em 179 países. O estudo utilizou um modelo que cruza dados de satélite com estatísticas de produção para mapear a perda de 122 milhões de hectares de florestas em duas décadas. Esse processo resultou na emissão de 41,2 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), com mais de 80% das perdas concentradas em regiões tropicais, como a Amazônia e o Cerrado.

O peso da carne bovina e da soja

A produção de carne bovina aparece como o principal motor da devastação, sendo responsável por 40% do desmatamento ligado à abertura de novas áreas para alimentos no mundo. Em seguida, figuram o óleo de palma (9%) e a soja (5%). No cenário brasileiro, a pressão dessas duas commodities (carne e soja) é o que sustenta o país no topo do ranking, evidenciando o desafio de manter a liderança nas exportações globais sem comprometer a preservação ambiental.

Culturas básicas e impacto global

Um dado que surpreendeu os pesquisadores foi o impacto de culturas básicas, como milho, arroz e mandioca. Juntas, elas representam 11% do desmatamento agrícola global — um valor superior à soma de commodities tradicionais como cacau, café e borracha, que somam menos de 5%. Diferente da soja e do óleo de palma, que têm áreas de produção bem localizadas na América do Sul e no Sudeste Asiático, a pressão do milho e da mandioca está espalhada por diversas regiões do globo, o que dificulta o controle e a fiscalização internacional.

*Matéria realizada com informações do portal Climainfo

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