Fazendeira da Amazônia cobre árvore com tapume para proibir turistas de tirarem fotos
Árvore de Soure vira centro de polêmica após proprietária cercar área, proibir registros e controlar acesso a comunidades tradicionais no Marajó
O Marajó, famoso pelo encontro do Rio Amazonas com o mar e pelos búfalos que andam soltos como se fossem cachorros, ganhou nos últimos anos um novo ponto turístico inusitado: uma árvore. Localizada na estrada que dá acesso às comunidades do Caju Una e do Céu, em Soure, a árvore virou celebridade nas redes sociais por sua beleza e atraía cada vez mais visitantes em busca daquele momento único de contemplação da natureza. O que era um simples ponto de apreciação da beleza natural, no entanto, virou o centro de uma grande polêmica.
A árvore é uma morcegueira, espécie comum na região e que lembra um bonsai. Se as pessoas podiam admirar a beleza do “anciã”, esse tempo acabou. A polêmica estourou no início de 2026, quando a árvore, que fica na propriedade da Fazenda Bom Jesus, apareceu cercada por tapumes. A atitude, que partiu da proprietária da fazenda, Eva Abufaiad, revoltou turistas e moradores. “Não quero que tirem foto da árvore”, teria dito a fazendeira, segundo testemunhas que preferem não se identificar.
Uma placa na entrada da propriedade reforça o recado: “proibido fotos”. Mas ao cercar a árvore com tapumes, a fazendeira não apenas proibiu as fotos, ela literalmente bloqueou a visão de quem passava pela estrada. Turistas que viajavam quilômetros para contemplar aquela beleza natural se veem agora diante de uma barreira de madeira.
Fotos e vídeos nas redes sociais, alguns viralizados, citavam a beleza da árvore, que é uma morcegueira, espécie que lembra um bonsai. Jornalistas e criadores de conteúdo comentaram na internet sobre a beleza da árvore. “Essa árvore é linda mesmo. Fiquei encantada, quase hipnotizada quando vi”, disse a jornalista Jalília Messias, em postagem sobre árvore, no Instagram da jornalista Mary Tupiassu.

Em outro comentário destaca-se os encantos da região, “O Marajó é o lugar mais lindo do mundo. Tenho uma foto nessa maravilha aí”.

Um usuário comenta “a árvore mais linda que já vi na vida”.

A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL), também afirma seu contato com a Árvore. “Sempre que vou, peço a Ela sabedoria”, afirma a parlamentar.

O problema vai além da proibição das fotos. A fazenda fica no caminho de comunidades que são reservas extrativistas protegidas pelo ICMBio, e a proprietária passou a controlar o acesso. Vigias cobram de 10 a 20 reais para quem quer passar pela estrada, que é uma rodovia estadual e, portanto, pública. A cobrança, segundo especialistas, é ilegal, já que não existe um pedágio regularizado pelo estado. Quem quer chegar às praias e comunidades precisa pagar pela passagem. Numa das postagens sobre a árvore, uma admiradora comenta, “uma pena que a proprietária da fazenda Bom Jesus proíba os visitantes de tirarem foto da paisagem. Eu mesma já fui abordada e informada da proibição”, afirma a seguidora.

Para os moradores da comunidade de Caju-Una, a situação é ainda pior. Com os portões da fazenda sendo trancados às 21h, eles vivem sob um verdadeiro “toque de recolher”, tendo seu direito de ir e vir cerceado. Para completar o enredo, parte da Fazenda Bom Jesus está sobreposta a uma área da União, protegida pelo ICMBio. A questão está na Justiça, mas enquanto não sai uma decisão, a situação permanece indefinida, gerando um conflito que chega ao cúmulo de impedir que as pessoas simplesmente apreciem a beleza de uma árvore.
Atualização: O que diz a responsável pelo local?
Em nota enviada para a imprensa, a assessoria jurídica de Eva Abufaiad afirma que ela nunca determinou o bloqueio da passagem de moradores ou visitantes pela Fazenda Bom Jesus e nega que haja cobrança para circulação na estrada. Segundo o texto, o acesso das comunidades à área ocorre por acordo da família, mas a fazenda continua sendo uma propriedade privada.
A nota também nega a proibição de fotos da árvore e afirma que os tapumes foram colocados de forma temporária, apenas para proteger o solo e as raízes das árvores. Por fim, a assessoria diz que as acusações são falsas, pede cautela na divulgação das informações e afirma que pode adotar medidas judiciais.
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