O que está acontecendo na Amazônia? 14 de janeiro de 2026

Fazendeira da Amazônia cobre árvore com tapume para proibir turistas de tirarem fotos

Árvore de Soure vira centro de polêmica após proprietária cercar área, proibir registros e controlar acesso a comunidades tradicionais no Marajó

O Marajó, famoso pelo encontro do Rio Amazonas com o mar e pelos búfalos que andam soltos como se fossem cachorros, ganhou nos últimos anos um novo ponto turístico inusitado: uma árvore. Localizada na estrada que dá acesso às comunidades do Caju Una e do Céu, em Soure, a árvore virou celebridade nas redes sociais por sua beleza e atraía cada vez mais visitantes em busca daquele momento único de contemplação da natureza. O que era um simples ponto de apreciação da beleza natural, no entanto, virou o centro de uma grande polêmica.

A árvore é uma morcegueira, espécie comum na região e que lembra um bonsai. Se as pessoas podiam admirar a beleza do “anciã”, esse tempo acabou. A polêmica estourou no início de 2026, quando a árvore, que fica na propriedade da Fazenda Bom Jesus, apareceu cercada por tapumes. A atitude, que partiu da proprietária da fazenda, Eva Abufaiad, revoltou turistas e moradores. “Não quero que tirem foto da árvore”, teria dito a fazendeira, segundo testemunhas que preferem não se identificar.

Uma placa na entrada da propriedade reforça o recado: “proibido fotos”. Mas ao cercar a árvore com tapumes, a fazendeira não apenas proibiu as fotos, ela literalmente bloqueou a visão de quem passava pela estrada. Turistas que viajavam quilômetros para contemplar aquela beleza natural se veem agora diante de uma barreira de madeira.

Fotos e vídeos nas redes sociais, alguns viralizados, citavam a beleza da árvore, que é uma morcegueira, espécie que lembra um bonsai. Jornalistas e criadores de conteúdo comentaram na internet sobre a beleza da árvore. “Essa árvore é linda mesmo. Fiquei encantada, quase hipnotizada quando vi”, disse a jornalista Jalília Messias, em postagem sobre árvore, no Instagram da jornalista Mary Tupiassu.

Em outro comentário destaca-se os encantos da região, “O Marajó é o lugar mais lindo do mundo. Tenho uma foto nessa maravilha aí”.

 Um usuário comenta “a árvore mais linda que já vi na vida”. 

A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL), também afirma seu contato com a Árvore. “Sempre que vou, peço a Ela sabedoria”, afirma a parlamentar. 

O problema vai além da proibição das fotos. A fazenda fica no caminho de comunidades que são reservas extrativistas protegidas pelo ICMBio, e a proprietária passou a controlar o acesso. Vigias cobram de 10 a 20 reais para quem quer passar pela estrada, que é uma rodovia estadual e, portanto, pública. A cobrança, segundo especialistas, é ilegal, já que não existe um pedágio regularizado pelo estado. Quem quer chegar às praias e comunidades precisa pagar pela passagem. Numa das postagens sobre a árvore, uma admiradora comenta, “uma pena que a proprietária da fazenda Bom Jesus proíba os visitantes de tirarem foto da paisagem. Eu mesma já fui abordada e informada da proibição”, afirma a seguidora. 

Para os moradores da comunidade de Caju-Una, a situação é ainda pior. Com os portões da fazenda sendo trancados às 21h, eles vivem sob um verdadeiro “toque de recolher”, tendo seu direito de ir e vir cerceado. Para completar o enredo, parte da Fazenda Bom Jesus está sobreposta a uma área da União, protegida pelo ICMBio. A questão está na Justiça, mas enquanto não sai uma decisão, a situação permanece indefinida, gerando um conflito que chega ao cúmulo de impedir que as pessoas simplesmente apreciem a beleza de uma árvore. 

Atualização: O que diz a responsável pelo local?

Em nota enviada para a imprensa, a assessoria jurídica de Eva Abufaiad afirma que ela nunca determinou o bloqueio da passagem de moradores ou visitantes pela Fazenda Bom Jesus e nega que haja cobrança para circulação na estrada. Segundo o texto, o acesso das comunidades à área ocorre por acordo da família, mas a fazenda continua sendo uma propriedade privada.

A nota também nega a proibição de fotos da árvore e afirma que os tapumes foram colocados de forma temporária, apenas para proteger o solo e as raízes das árvores. Por fim, a assessoria diz que as acusações são falsas, pede cautela na divulgação das informações e afirma que pode adotar medidas judiciais.

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