O que está acontecendo na Amazônia? 14 de janeiro de 2026

Justiça Federal confirma proibição definitiva de turismo irregular em terra indígena no Pará

Decisão atende pedido do MPF e torna definitiva a suspensão de atividades sem licenciamento e sem consulta aos povos indígenas no Território Wayamu

A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e tornou definitiva a proibição de atividades turísticas irregulares na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera, localizada no Território Wayamu, no noroeste do Pará. A decisão atinge as empresas Acute Angling e Amazon Peacock Bass e foi publicada no final de dezembro.

A sentença confirma uma decisão liminar de setembro de 2022, que já havia determinado a suspensão das operações das empresas na região.

Atividades ocorreram sem licenças e sem consulta indígena

De acordo com a ação civil pública movida pelo MPF, as empresas realizavam atividades turísticas sem o licenciamento ambiental exigido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sem autorização da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e sem garantir o direito à Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) às comunidades indígenas afetadas.

A Justiça Federal reconheceu a ilegalidade das operações e reforçou a necessidade de cumprimento integral da legislação ambiental e indigenista.

Consulta Prévia é direito coletivo, decide Justiça

Acordos informais não substituem a CPLI

Um dos pontos centrais da sentença foi a análise da relação entre as empresas e as comunidades indígenas. A defesa alegou que as atividades ocorreram a partir de convites e acordos feitos com algumas lideranças locais.

No entanto, a Justiça Federal rejeitou esse argumento, destacando que a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a legislação brasileira exigem que a consulta seja ampla, coletiva e respeite os protocolos próprios de deliberação de cada povo indígena.

Segundo a decisão, acordos informais com lideranças isoladas não têm validade legal para autorizar a exploração econômica de terras indígenas e não substituem a regulação estatal.

Empresas ficam proibidas de explorar o território

Ao julgar a ação, a Justiça confirmou a condenação das empresas e de seus sócios, impondo uma série de proibições enquanto não houver consulta prévia e licenciamento oficial. Entre as restrições estão:

O que fica proibido sem CPLI e licenças

  • Realizar qualquer atividade turística na região
  • Instalar ou manter pousadas e acampamentos
  • Comercializar pacotes turísticos vinculados à área
  • Entrar no território indígena sem autorização da Funai e sem anuência das lideranças e associações representativas locais

A decisão também determina o cancelamento de pacotes turísticos pendentes e a retirada de qualquer publicidade na internet relacionada à pesca no Rio Bateria.

Pedido de indenização é negado, mas decisão cabe recurso

Apesar de reconhecer a ilegalidade administrativa das atividades e confirmar a paralisação definitiva, a Justiça Federal julgou improcedente o pedido do MPF para condenação das empresas ao pagamento de R$ 3 milhões por danos materiais e morais.

Da sentença ainda cabe recurso.

*Com informações de Ministério Público Federal (MPF)


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