O que está acontecendo na Amazônia? 30 de dezembro de 2025

Ronaldo Guedes promove encontro artístico no Mercado de Soure para dialogar sobre ancestralidade e consciência socioambiental

A partir de instalação apresentada durante a COP 30, artista convida a comunidade marajoara a refletir sobre arte contemporânea, culturas tradicionais e o cuidado com o meio ambiente

O artista Ronaldo Guedes convida a comunidade de Soure, no Marajó, para um encontro sensível entre arte contemporânea, território, ancestralidade e consciência socioambiental. A iniciativa parte de uma instalação artística apresentada na exposição “O que sonham os invisíveis – Cosmopercepções da Floresta”, exibida pelo Goethe-Institut na Galeria Benedito Nunes, durante a COP 30.

A proposta agora ganha desdobramento no próprio território marajoara, com uma intervenção artística no Mercado Municipal de Soure, um dos espaços mais populares e acessíveis da cidade, promovendo o diálogo direto entre arte, cotidiano e comunidade.

Da COP 30 ao Marajó: arte como ponte entre territórios

A instalação apresentada em Soure é resultado da residência artística “Cosmopercepções da Floresta”, da qual Ronaldo Guedes participou ao lado da artista Cilene Andrade ao longo de dois anos. O projeto investigou diferentes modos de perceber, sentir e narrar a floresta a partir de experiências artísticas e saberes tradicionais.

O resultado foi a criação de uma coleção de arte contemporânea construída de forma colaborativa em cinco territórios distintos, conectando culturas, povos e paisagens ao redor do mundo.

Uma rede de criação intercultural

A residência artística envolveu parcerias nos seguintes territórios:

  • Amazônia Colombiana, com Aimema, artista do povo Wuitoto
  • Ilha do Marajó, com o Ateliê Arte Mangue Marajó
  • Mata Atlântica, com a Escola Viva Guarani e a Escola Viva Maxakali
  • Floresta Boreal da Finlândia, com a artista Sunná Máret e Renata Tupinambá
  • Eixo Rio Negro/Munique, com o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, o Instituto Max Planck de Geoantropologia, o Museum Fünf Kontinente e a Stiftung Kunst und Natur – Nantesbuch

Mercado Municipal de Soure como espaço de encontro e escuta

Em Soure, a intervenção artística propõe ocupar o Mercado Municipal como espaço de convivência, troca e reflexão. A escolha do local reforça o caráter democrático da ação, aproximando a arte das pessoas que vivem e constroem o território diariamente.

O projeto convida agentes comunitários, pesquisadores universitários, pescadores, extrativistas, artistas e visitantes a experimentar o visível e o invisível presentes na obra — o mangue, o barro e as espécies simbólicas, que representam os saberes tradicionais e as cosmopercepções ligadas ao cuidado, à memória e à defesa do território marajoara.

Arte, ancestralidade e meio ambiente em diálogo

A proposta busca estimular reflexões sobre:

  • A relação entre arte contemporânea e culturas tradicionais
  • A preservação ambiental a partir dos saberes ancestrais
  • Os modos coletivos de pensar o território e o futuro da região

Além da exposição, está prevista a realização de uma roda de conversa, que será divulgada em breve. O encontro pretende promover a construção coletiva de sentidos sobre as relações socioambientais fundamentais para o Marajó, a partir de um olhar interdisciplinar.

Serviço

A exposição acontece no Mercado Municipal de Soure, com visitação aberta ao público no período da manhã, entre os dias 24 de dezembro e 05 de janeiro.
A entrada é gratuita.

Quem passar pelo Mercado é convidado a registrar a experiência e compartilhar, fortalecendo a circulação da arte e do debate sobre o território.

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