Professor relata ter sofrido fratura no crânio após ação da Guarda Municipal durante protesto na Câmara de Belém
Docente da rede municipal diz ter sido atingido por bala de borracha durante manifestação contra projetos que retirariam direitos dos servidores públicos
O professor Cássio Sousa, da rede municipal de ensino de Belém, afirma ter sido vítima de violência policial durante a manifestação realizada no útimo dia 17 de dezembro, na Câmara Municipal de Belém. Segundo o relato, ele foi atingido por uma bala de borracha na testa, o que teria provocado uma fratura no crânio.
O docente, que atua há mais de 10 anos na educação municipal, publicou um vídeo relatando o ocorrido enquanto aguardava atendimento médico no Hospital Porto Dias, para onde foi encaminhado após o episódio.
Professor relata uso de bala de borracha e spray de pimenta
De acordo com o docente, a manifestação reunia professores e outros trabalhadores do serviço público municipal e ocorria de forma pacífica, com reivindicações relacionadas à pauta legislativa em tramitação na Câmara.
“A mando do prefeito, a gente teve, infelizmente, uma manifestação de violência contra todos os trabalhadores e trabalhadoras que estavam lá na frente”, afirmou o professor.
Ele relata que a Guarda Municipal utilizou spray de pimenta e balas de borracha para dispersar os manifestantes.
“Não foi só spray de pimenta. A Guarda foi autorizada a atirar bala de borracha”, disse.
Fratura no crânio e atendimento hospitalar

Segundo o professor, um dos disparos o atingiu diretamente na testa, causando uma fratura no crânio.
“Uma delas atingiu a minha testa e, por conta disso, sofri uma fratura no crânio. Poderia ter sido pior, poderia ter atingido meus olhos ou uma parte mais frágil do corpo”, relatou.
No vídeo, Cássio conta que aguardava avaliação médica para verificar a necessidade de cirurgia.
“Estou até agora esperando um médico para fazer uma avaliação, para ver a questão de uma possível cirurgia na abertura do crânio”, afirmou.
Outros professores também passaram mal
Além do próprio ferimento, o professor afirma que outros docentes também precisaram de atendimento médico, principalmente por problemas respiratórios provocados pelo spray de pimenta.
“Chegaram aqui no hospital vários professores com insuficiência respiratória por conta do spray de pimenta”, disse.
Durante o protesto, houve registro de manifestantes feridos, que foram atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Críticas à atuação da Guarda Municipal
No relato, Cássio Sousa critica a forma como os manifestantes foram tratados durante a ação e afirma que os trabalhadores foram alvo de violência injustificada.
“É inadmissível que nós, civis, sejamos alvos da Guarda Municipal como se fôssemos vagabundos ou bandidos”, declarou.
Ele reforça que o grupo exercia o direito constitucional à manifestação.
“Nós estávamos ali de forma pacífica. Somos professores, somos nós que educamos os filhos dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
Solidariedade e continuidade da mobilização
Ao final do relato, o professor agradeceu o apoio recebido de colegas, amigos e familiares, e defendeu que a categoria continue mobilizada.
“A gente tem que continuar lutando e não aceitar esse tipo de ação e de atitude”, concluiu.
Veja o vídeo
Entenda: por que os professores protestavam
A manifestação realizada no dia 17 de dezembro teve como objetivo barrar a votação de projetos de lei que, segundo os servidores, retirariam direitos do funcionalismo público municipal.
O protesto começou ainda nas primeiras horas do dia, na Câmara Municipal de Belém. Durante a mobilização, houve intervenção da força de segurança, com o uso de balas de borracha, o que resultou em feridos atendidos pelo SAMU.
A reportagem entrou em contato com a Guarda Municipal de Belém e da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (SEGBEL) sobre o caso e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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