Áudio revela ameaça contra mulher na Câmara de Vereadores de Belém
Vamos falar de violência de um homem contra uma mulher. Mais uma.Desta vez, dentro da Câmara Municipal de Belém, um espaço que deveria representar a democracia, mas que ainda reproduz práticas marcadas por machismo e misoginia. Circulou no mês de outubro um áudio atribuído ao vereador Zezinho Lima (PL), no qual ele faz ameaças direcionadas […]
Vamos falar de violência de um homem contra uma mulher. Mais uma.
Desta vez, dentro da Câmara Municipal de Belém, um espaço que deveria representar a democracia, mas que ainda reproduz práticas marcadas por machismo e misoginia.
Circulou no mês de outubro um áudio atribuído ao vereador Zezinho Lima (PL), no qual ele faz ameaças direcionadas à vereadora Marinor Brito. O conteúdo expõe um tipo de violência que, embora muitas vezes naturalizada, é extremamente grave: a violência política de gênero.
Em meio a um país marcado por altos índices de feminicídio, ameaças como essa não podem ser tratadas como “fala forte” ou “excesso retórico”. Elas fazem parte de um ciclo conhecido: ameaça, intimidação, agressão — e, em muitos casos, morte. É o retrato de uma sociedade em que homens se sentem autorizados a usar o medo para silenciar mulheres.
Diante da gravidade do caso, o PSOL ingressou, no dia 10 de dezembro, com uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador, com base na Lei nº 14.192/2021, que trata da violência política contra a mulher. O partido pede que o caso seja encaminhado à Comissão de Ética e que seja aberto processo disciplinar, que pode resultar, inclusive, na cassação do mandato.
O episódio também reacende críticas à atuação do vereador em outras frentes. Zezinho Lima foi autor do projeto que extinguiu o Bora Belém, programa social que beneficiava famílias em situação de vulnerabilidade — muitas delas chefiadas por mulheres. O contraste entre a valentia direcionada a mulheres e a postura diante de propostas que prejudicam a população é evidente.
Esse caso não diz respeito apenas a partidos ou ideologias. Diz respeito a todas as mulheres — de direita, de esquerda ou que sequer têm tempo de discutir política porque estão ocupadas tentando sobreviver. Nenhuma ameaça deve ser normalizada. Estatísticas mostram: toda violência começa com uma ameaça.
Agora, cabe à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Belém decidir se a representação será aceita e se os procedimentos internos serão iniciados. E isso será acompanhado de perto. Porque nenhuma violência contra a mulher pode passar impune.