Vereador chama manifestantes de v4gabund0s: “tem que prender”
Um novo episódio de tensão marcou a sessão na Câmara Municipal de Belém. Em vídeo que circula nas redes sociais, o vereador Lulu das Comunidades se refere aos manifestantes como “vagabundos”, ao comentar os protestos contra o chamado “Pacote de Maldades”. A fala gerou forte reação. Afinal, se o vereador se apresenta como representante das […]
Um novo episódio de tensão marcou a sessão na Câmara Municipal de Belém. Em vídeo que circula nas redes sociais, o vereador Lulu das Comunidades se refere aos manifestantes como “vagabundos”, ao comentar os protestos contra o chamado “Pacote de Maldades”.
A fala gerou forte reação. Afinal, se o vereador se apresenta como representante das comunidades, surge a pergunta: como alguém que diz falar em nome do povo trata cidadãos dessa forma? Os manifestantes são trabalhadores, servidores públicos e moradores da cidade que protestam contra medidas que impactam diretamente suas vidas.
O contraste também chama atenção. Enquanto trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas, muitos vereadores contam com assessores, benefícios e estruturas que estão muito distantes da realidade da maioria da população. O debate, portanto, não é sobre “vagabundagem”, mas sobre quem paga a conta das decisões políticas.
A oposição aponta que o pacote de projetos foi elaborado pela Prefeitura e que a base do prefeito na Câmara estaria abrindo mão do papel de legislar, concentrando decisões no Executivo — algo que representa risco à autonomia do Legislativo e à democracia.
Antes da confusão, do uso de spray de pimenta e das agressões, os manifestantes ocupavam a galeria de forma pacífica. Em determinado momento, chegaram a pedir que o prefeito reduzisse o próprio salário como alternativa às medidas que retiram direitos e aumentam impostos.
A crítica se repete ano após ano: para a cidade, aumentos de tributos; para os servidores, cortes de benefícios. Já para vereadores e gestores, poucos sacrifícios. Benefícios como assessores, carros oficiais, auxílios e viagens raramente entram na pauta dos cortes.
Diante das cenas de violência, nossa equipe solicitou posicionamento da Câmara Municipal de Belém e da Prefeitura. A Prefeitura respondeu, mas não se manifestou sobre os episódios de violência nem sobre a atuação da Guarda Municipal, limitando-se a enviar materiais institucionais sobre o IPTU e o pacote de projetos. Até o momento, a Câmara Municipal não respondeu. O espaço segue aberto.