Jornal 12 de dezembro de 2025

AMAZÔNIA É O TERRITÓRIO MAIS PERIGOSO DO BRASIL PARA MULHERES, APONTA ESTUDO: VIOLÊNCIA DE GÊNERO, GARIMPO ILEGAL E AUSÊNCIA DO ESTADO FORMAM CENÁRIO CRÍTICO

Casos extremos — assassinatos, mutilações, estupros e violência brutal — revelam um padrão recorrente na Amazônia Legal: a região se tornou o território mais perigoso do país para mulheres e meninas. A conclusão é do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que relaciona exploração da terra, presença de […]

Casos extremos — assassinatos, mutilações, estupros e violência brutal — revelam um padrão recorrente na Amazônia Legal: a região se tornou o território mais perigoso do país para mulheres e meninas. A conclusão é do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que relaciona exploração da terra, presença de facções e economias ilegais com o avanço da violência de gênero.

Segundo o levantamento, seis dos nove estados da Amazônia Legal apresentam taxas de estupro acima da média nacional de 68,7 casos por 100 mil habitantes. Roraima lidera o ranking com 240,3 ocorrências, número 249% superior à média brasileira. Em áreas de fronteira, o índice é ainda mais alarmante: 68,7% maior do que nos demais municípios da região.

O estudo aponta o garimpo ilegal como um dos ambientes mais hostis para mulheres. Os garimpos operam com sistemas que combinam poder armado, hierarquias rígidas, dívidas impostas e exploração sexual. Em áreas isoladas, mulheres e adolescentes se tornam alvos fáceis de violência, coerção e prostituição forçada — agravada pelo chamado “sistema de barracão”, baseado em dívidas impagáveis que mantém vítimas presas ao ciclo de exploração.

Casos emblemáticos ilustram a gravidade: uma jovem de 26 anos encontrada morta em um garimpo em Itaituba (PA), e a menina Yanomami de 12 anos estuprada e assassinada por garimpeiros.

Entre mulheres indígenas, o quadro é ainda mais crítico. A combinação entre violência doméstica, estupros, militarização dos territórios, presença de garimpeiros e ausência quase total do Estado cria um ambiente de vulnerabilidade extrema.

Outro estudo, realizado pelo coletivo Futuro Brilhante, analisou registros de crimes sexuais contra crianças e adolescentes nos 144 municípios do Pará entre 2019 e 2023. O estado registrou 19.631 ocorrências nesse período; quase 90% das vítimas são meninas. A maior parte dos crimes ocorre durante manhã e tarde — horários de menor supervisão. Os principais agressores são pessoas próximas: tios, padrastos, vizinhos, parentes e parceiros da mãe.

Para especialistas, a violência contra a mulher na Amazônia está diretamente ligada ao modelo predatório de exploração da terra. Onde a devastação avança, a violência de gênero também aumenta. A conclusão é direta: não existe defesa da floresta sem o combate à misoginia. Organizações apontam a urgência de políticas públicas específicas e de um plano nacional de proteção às mulheres na Amazônia.

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