MPF investiga possíveis impactos socioambientais do show de Mariah Carey no rio Guamá, em Belém
O inquérito apura danos às comunidades tradicionais e a ausência de consulta prévia sobre o evento Amazônia Live – Hoje e Sempre, realizado em setembro, em um palco flutuante no rio Guamá.
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar os possíveis impactos socioambientais provocados pelo show da cantora Mariah Carey, realizado em setembro de 2025, em Belém, durante o evento Amazônia Live – Hoje e Sempre. O espetáculo ocorreu sobre um palco flutuante montado nas águas do rio Guamá.
A informação foi divulgada pelo jornalista Robson Bonin, da coluna Radar, da revista Veja.
Possíveis danos e falta de consulta às comunidades tradicionais
De acordo com o MPF, o objetivo da investigação é apurar possíveis impactos do evento nas comunidades tradicionais do entorno e a ausência de consulta prévia, livre e informada — direito garantido por tratados internacionais e pela legislação brasileira. O órgão também analisa os eventuais danos ambientais decorrentes da estrutura montada e da movimentação intensa de público e embarcações na área.
O palco, inspirado na forma da vitória-régia, recebeu críticas de ambientalistas e moradores da região, que alertaram para os riscos de degradação ambiental e para o desrespeito aos modos de vida das populações ribeirinhas.
Evento privado e polêmicas sobre impacto cultural e ambiental
Idealizado por Roberto Medina, criador do Rock in Rio e do The Town, o Amazônia Live foi uma parceria com a mineradora Vale. O evento contou com apresentações de artistas paraenses como Joelma, Gaby Amarantos, Zaynara e Dona Onete, além da atração internacional Mariah Carey. A transmissão foi feita pela TV Globo, Multishow e Globoplay.
O evento foi custeado exclusivamente com recursos privados, sem uso de verbas públicas. Ainda assim, a apresentação gerou controvérsia pela falta de engajamento da artista com a cultura amazônica e pelo impacto ambiental do palco flutuante.
O MPF informou que aguarda respostas das autoridades e organizadores do evento sobre as medidas adotadas para minimizar possíveis danos e garantir os direitos das comunidades tradicionais. O inquérito segue em andamento e poderá resultar em recomendações ou sanções, caso sejam identificadas irregularidades.
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